Tento adivinhar por entre as pedras o caminho, tento contornar as dificuldades que o destino me coloca, por forma a não esbarrar, não me magoar. Evito, as pontas afiadas das rochas, evito perder-me na caminhada.
Por entre a bruma, descubro-me, vejo a imagem reflectida nas superfícies brilhantes, imagino o que está para lá da esquina, tentando predizer o que está por vir. Debruço-me sobre os livros, sobre as fórmulas, cálculos e profecias, tentando entender o rasto que fica quando passo, a cada passo.
Caminho, pesadamente, sobre cada trecho, sentindo o corpo cansado, a alma carrega-me. Procuro no escuro a luz de um dia qualquer e procuro na noite a Lua que teima em adormecer.
Longo é cada segundo que arrasta o tempo atrás de mim, como uma corrente que me prende, sangrando-me o corpo, dilacerando-me o espírito como um cilício.
Entrego a esperança, que carrego entre mãos, ao divino deixando o futuro chegar sozinho, deixando a alma esperar, na beira do caminho...
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquetipo qualquer, mas pela pupila... Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante... A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos... Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo... Deles não quero resposta, quero meu avesso... Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim...Para isso, só sendo louco... Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças... Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta... Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria... Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto... Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade... Não quero risos previsíveis nem choros piedosos... Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça... Não quero amigos adultos nem chatos... Quero-os metade infância e outra metade velhice... Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa... Tenho amigos para saber quem eu sou... Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril... "
Oscar Wilde
A todos os meus amigos e familiares que fizeram do dia de ontem um dia especial, o meu MUITO OBRIGADA! ![]()
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"
Poesia de Mário de Andrade
A ligação mãe-filho tem tantas ramificações em tantos níveis, que os vínculos ultrapassam o entendimento biológico, emocional e mental.
Desde que nascem que nos sentimos felizes com todos os seus sucessos e conquistas, mesmo os mais pequenos e aparentemente insignificantes. Do mesmo modo, cada revés que se lhes apresenta, cada dor que sentem, é para nós um tormento e, se pudéssemos, certamente tiraríamos esse peso dos seus ombros.
Tal não é possível. Assim, só nos resta esperar ansiosamente que as nuvens negras sejam levadas para longe por um vento abençoado, com a esperança de que saibam que estamos sempre ali para tudo o que for necessário.
Sinto-me feliz, flutuando no ar que me rodeia, olhando com atenção as nuvens que passam no céu, e que já não são negras. A tristeza foi-se como por magia!
Sinto-me como pena leve e macia, como quem vê mar azul sem fim e se sente inundar pela paz que transmite.
Sinto-me simplesmente eu, como se o lado mais feliz que tenho em mim estivesse à espera para voltar à superfície.
Sinto-me como uma flor, que desabrocha, como quem acorda de um longo sono de cem anos.
Sinto-me como o sol, que desperta para a vida e ilumina todos os seres.
Sinto-me como a lua, que dá lugar ao sol e ilumina a noite estrelada.
Sinto-me tudo isto e muito mais. Sinto-me feliz!
P.S.- Para todos os que foram passando e deixando as suas palavras de ânimo, revelando preocupação e verdadeira amizade, deixo este post e o meu MUITO OBRIGADA! De todo o coração!
Crie desejos, fantasias e ilusões
Crie exíguas desmedidas emoções
Crie laços bem atados de ternura
Crie espaços despojados de censura
Crie elos que alicerçam a amizade
Em castelos que impeçam a iniquidade
Crie sólidas alianças ao seu redor
Crie esperanças de um mundo melhor
Crie sonhos, risonhos, ridentes
Crie sorrisos, preciosos, pungentes
Crie novas formas de ser ou de estar
Seja para se conhecer ou se reinventar
Crie vínculos afectivos regulares
Crie nós positivos ímpares, sem pares
Não pare! CRIE!
Autor desconhecido
Estou farta! Farta de chuva, farta de humidade, farta de frio, farta de andar com os pés molhados, as calças molhadas, o cabelo sem jeito... estou farta do guarda-chuva, das botas, dos casacos, das camisolas de lã, de me sentir tolhida em cada movimento!
Estou farta de conduzir com más condições atmosféricas, das corridas com os sacos das compras, dos aquecedores, da água a mais... bastaaaaaaaaaaa! Quero sol, sim , pode ser? Pode??
E pronto, já desabafei a minha indignação, já me sinto pronta para mais dois meses e tal de Inverno! (até parece...)
Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e a jamais dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.
Meu Deus, se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permitas que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não acusar os meus adversários com mais severidade do que a mim mesmo.
Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem-sucedido, nem pelo desespero, quando derrotado. Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.
Ó Deus!
Faz-me sentir que o perdão demonstra força, e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna, deixa-me a esperança.
Se me faltar a saúde, conforta-me com a graça da fé.
E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria na minha alma a força da desculpa e do perdão.
Finalmente, Senhor, se eu Te esquecer, rogo que nunca Te esqueças de mim.
P.S. - Recebi por mail esta prece árabe, que achei lindíssima, e que quis partilhar com os meus amigos.
Apesar de serem apenas 18 horas, era já noite e estava escuro como breu. A chuva era intensa e não permitia grande visibilidade, o que dificultava a condução. A velocidade, contrariamente ao que é habitual, ficava-se pelos 40-50 km/h, pois para além das condições atmosféricas, também a estrada, cheia de curvas e irregularidades, não permitia mais. Subitamente, ao chegar ao cimo de uma lomba, uma mancha negra em movimento desloca-se rapidamente na direcção do veículo, que mal teve tempo de se imobilizar antes de ser atingido por... uma manada de vacas negras em debandada!
Não, não se trata de nenhuma cena de filme de terror. Foi mesmo isto que me aconteceu, na segunda-feira, quando retornava a casa, depois de mais um dia cansativo de trabalho. Por mais que eu diga, ninguém consegue imaginar o susto que apanhei, quando duas das vacas não conseguiram evitar o embate e, uma delas, chegou mesmo a colocar as patas em cima do capot, ao mesmo tempo que uns enormes olhos arregalados me fitaram assustadoramente, durantes uns segundos, através do vidro.
No dia seguinte, ao investigar os estragos, verifiquei que até pêlos negros eu tinha colados no carro, além de uma enorme sujidade enlameada, restos de baba dos ditos animais e um grande risco feito pelos cascos.
Só vos digo que, até esse dia, achava as vaquinhas uns animais ternurentos e engraçados, mas agora... nem vê-las!
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