Domingo, 24 de Janeiro de 2010
Hoje

 

Hoje dói-me a alma! Hoje sinto chorar o coração!

 


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publicado por daplanicie às 18:39
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
Tirar o "S" da CRISE

 

Crie desejos, fantasias e ilusões

Crie exíguas desmedidas emoções

Crie laços bem atados de ternura

Crie espaços despojados de censura

Crie elos que alicerçam a amizade

Em castelos que impeçam a iniquidade

Crie sólidas alianças ao seu redor

Crie esperanças de um mundo melhor

Crie sonhos, risonhos, ridentes

Crie sorrisos, preciosos, pungentes

Crie novas formas de ser ou de estar

Seja para se conhecer ou se reinventar

Crie vínculos afectivos regulares

Crie nós positivos ímpares, sem pares

Não pare! CRIE!

Autor desconhecido



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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Chuva...chuva...chuva

Estou farta! Farta de chuva, farta de humidade, farta de frio, farta de andar com os  pés molhados, as calças molhadas, o cabelo sem jeito... estou farta do guarda-chuva, das botas,  dos casacos, das camisolas de lã, de me sentir tolhida em cada movimento! 

Estou farta de conduzir com más condições atmosféricas, das corridas com os sacos das compras,  dos aquecedores, da água a mais... bastaaaaaaaaaaa! Quero sol, sim , pode ser? Pode?? 

E pronto, já desabafei a minha indignação, já me sinto pronta para mais dois meses e tal de Inverno! (até parece...)

 


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publicado por daplanicie às 13:50
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010
Prece árabe

Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes.

Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e a jamais dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.

Meu Deus, se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permitas que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.

Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não acusar os meus adversários com mais severidade do que a mim mesmo.

Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem-sucedido, nem pelo desespero, quando derrotado. Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.

Ó Deus!

Faz-me sentir que o perdão demonstra força, e que a vingança é prova de fraqueza.

Se me tirares a fortuna, deixa-me a esperança.

Se me faltar a saúde, conforta-me com a graça da fé.

E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria na minha alma a força da desculpa  e do perdão.

Finalmente, Senhor, se eu Te esquecer, rogo que nunca Te esqueças de mim.

 

P.S. - Recebi por mail esta prece árabe, que achei lindíssima, e que quis partilhar com os meus amigos.



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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
Uma aventura

Apesar de serem apenas 18 horas, era já noite e estava escuro como breu. A chuva era intensa e não permitia grande visibilidade, o que dificultava a condução. A velocidade, contrariamente ao que é habitual, ficava-se pelos 40-50 km/h, pois para além das condições atmosféricas, também a estrada, cheia de curvas e irregularidades, não permitia mais. Subitamente, ao chegar ao cimo de uma lomba, uma mancha negra em movimento desloca-se rapidamente na direcção do veículo, que mal teve tempo de se imobilizar antes de ser atingido por... uma manada de vacas negras em debandada!

Não, não se trata de nenhuma cena de filme de terror. Foi mesmo isto que me aconteceu, na segunda-feira, quando retornava a casa, depois de mais um dia cansativo de trabalho. Por mais que eu diga, ninguém consegue imaginar o susto que apanhei, quando duas das vacas não conseguiram evitar o embate e, uma delas, chegou mesmo a colocar as patas em cima do capot, ao mesmo tempo que uns enormes olhos arregalados me fitaram assustadoramente, durantes uns segundos, através do vidro.

No dia seguinte, ao investigar os estragos, verifiquei que até pêlos negros eu tinha colados no carro, além de uma enorme sujidade enlameada, restos de baba dos ditos animais e um grande risco feito pelos cascos.

Só vos digo que, até esse dia, achava as vaquinhas uns animais ternurentos e engraçados, mas agora... nem vê-las!



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Domingo, 3 de Janeiro de 2010
Este ano...

O Novo Ano chegou, no meio de beijos e abraços, de votos de Bom Ano, de fogo de artifício. O frio foi esquecido pelo calor do coração. Com a sua chegada, formulo os meus desejos para os doze meses que se aproximam, ao mesmo tempo que como as passas da praxe, enquanto o champanhe jorra a rodos por todo o lado.

Agora que o ano começa, traço os meus projectos, os meus objectivos, faço novos planos porque o passado ficou lá atrás e o que correu mal já é cinza. O que importa é o que virá e posso sempre determinar o que quero ou não para a minha vida.

Falsos amigos, não os deixarei entrar! Intrigas e mexericos, dispenso! Utilizar as pessoas como joguetes a meu bel-prazer, para satisfazer os meus caprichos e atingir os meus objectivos, não faz parte da minha maneira de ser!

As boas vibrações, acolho-as! As pessoas maravilhosas que tenho a sorte de fazerem parte da minha vida, adoro-as e agradeço todos os dias a Deus por isso! À minha família, que eu amo, prometo estar sempre lá quando precisem!

Agora, nesta tela que é o ano novo, passo tinta branca, apago tudo o que de mau aconteceu nos últimos doze meses, e deixo-a pronta para começar a pintar a minha nova vida. Escolho as cores que quero utilizar: o verde da esperança e do equilíbrio, o vermelho da paixão e do amor, o azul da calma e da paz de espírito, o amarelo do optimismo, o cor-de-rosa da compaixão e... estou pronta para começar a pintar o meu arco-íris!


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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
ANO NOVO

 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Para todos os meus amigos que passem por aqui,  desejo um ano de 2010 maravilhoso, de muito sucesso, e que seja o ano da concretização de todos os vossos sonhos!


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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
As coisas boas da vida

1. Apaixonar-se.
2. Rir tanto até que as faces doam.
3. Um chuveiro quente num Inverno frio.
4. Um supermercado sem filas nas caixas.
5. Um olhar especial.
6. Receber correio (pode ser electrónico.....)
7. Conduzir numa estrada linda.
8. Ouvir a nossa música preferida no rádio.
9. Ficar na cama a ouvir a chuva cair lá fora.
10. Toalhas quentes acabadas de serem engomadas...
11. Encontrar a camisola que se quer em saldo a metade do preço.
12. Batido de chocolate (baunilha ou morango).
13. Uma chamada de longa distância.
14. Um banho de espuma.
15...Rir baixinho.
16. Uma boa conversa.
17. A praia.
18. Encontrar uma nota de 20 euros no casaco pendurado desde o último Inverno.
19. Rir-se de si mesmo.
20. Chamadas à meia-noite que duram horas.
21. Correr entre os jactos de água de um aspersor.
22. Rir por nenhuma razão especial.
23. Alguém que te diz que és o máximo.
24. Rir de uma anedota que vem à memória.
25. Amigos.
26. Ouvir acidentalmente alguém dizer bem de nós.
27. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir.
28. O primeiro beijo (ou mesmo o primeiro com novo parceiro).
29. Fazer novos amigos ou passar o tempo com os velhos.
30. Brincar com um cachorrinho.
31. Haver alguém a mexer-te no cabelo.
32. Belos sonhos.
33. Chocolate quente.
34. Fazer-se à estrada com os amigos.
35. Balancear-se num balancé.
36. Embrulhar presentes sob a árvore de Natal comendo chocolates e bebendo a bebida favorita.
37. Letra de canções na capa do CD para podermos cantá-las sem nos sentirmos estúpidos.
38. Ir a um bom concerto.
39. Trocar um olhar com um belo/a desconhecido/a.
40. Ganhar um jogo renhido.
41. Fazer bolachas de chocolate.
42. Receber de amigos biscoitos feitos em casa.
43. Passar tempo com amigos íntimos.
44. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos.
45. Andar de mão dada com quem gostamos.
46. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas ( boas ou más) nunca mudam.
47. Patinar sem cair.
48. Observar o contentamento de alguém que está a abrir um presente que lhe ofereceste.
49. Ver o nascer do sol.
50. Levantar-se da cama todas as manhãs e agradecer outro belo dia.



publicado por daplanicie às 11:31
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
Uma história de Natal
A Batalha de Natal
 
 
- Só mais seis dias - disse Neli.
Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre:
- Ainda seis dias.
Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando:
- Se tudo já tivesse passado!
Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto:
- Não estás contente?
- Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda!
Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela.
- Que bem fazes isso - dissera-lhe Neli uma vez. - Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal.
- Ora - dissera a mãe a rir. - É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente.
- Como um robô! - Neli riu-se.
E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada!
Só mais quatro dias.
Só mais três.
As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro.
Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial.
Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80-/kg.
Os altifalantes debitavam música de Natal:
Noite feliz-
Cabeça de anho
Noite feliz-
Descafeinado
Papel higiénico de três folhas
O Senhor-
Lenços com monograma
Mostarda
Nasceu em Belém-
A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio.
Ufa!
Só mais três dias, e acabaria tudo.
- Vou fazer um jantar como o do ano passado - disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. - Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras.
No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal.
Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados.
- A batalha de Natal foi mais uma vez vencida - alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas.
Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um.
Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro.
- As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!- pensou assustada.
Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias.
Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs.
- Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado - disse o pai. - Comidas pesadas não me caem bem.
Também não havia muito que desembrulhar.
Por isso, sobrou tempo. Muito tempo.
Neli foi buscar o jogo Memory, que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela.
Agora, os pais tinham tempo.
O pai nunca tinha jogado Memory. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado.
Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto.
À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar.
- A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus - disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal.
Ao ir para a cama, Neli disse:
- Este foi um Natal muito bonito.
- A sério? - perguntou a mãe, admirada. - Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas.
- Mas houve muito tempo! - respondeu Neli.
 
Jutta Modler
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987
(Tradução e adaptação)


publicado por daplanicie às 14:56
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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Onde andas, espírito de Natal?

Sempre adorei o Natal! Começava muito cedo a elaborar a lista dos presentes que teria que comprar, a ementa dos bolos, doces e outras iguarias a confeccionar, a decorar a casa toda de acordo com o espírito natalício...enfim, uma azáfama que me enchia de felicidade!

Há uns anitos, poucos, comecei a notar que o meu entusiasmo decrescera. A decoração era feita cada vez mais tarde, as prendas adiadas um e outro dia e um certo desejo de que as festas passassem o mais depressa possível, como se de uma visita ao dentista se tratasse.

Este ano, pelas mais diversas razões, o ânimo ainda é menor e, se a fadinha dos desejos me aparecesse à frente, certamente que um dos meus desejos seria adormecer aí por volta do dia 20 de Dezembro e só acordar em 2010. É a mais pura e deprimente das verdades!

As pessoas em redor da mesa têm diminuído ano após ano, e a sua falta faz-se ainda sentir mais nesta época dedicada à família. Crianças pequenas, que tanto animam o Natal, já não há. E então, no meio de um turbilhão de pensamentos melancólicos, vêm-me à ideia outros Natais. Natais da minha infância em que o dinheiro não abundava mas a felicidade...essa, era pura e genuína. Recordo as minhas avós, amassando as azevias (pastéis de grão) pelo serão fora, enquanto o resto da família se reunia em volta da grande lareira, contando histórias e anedotas.

A impaciência para nos deitarmos era exclusiva dessa noite, uma vez que sabíamos bem que o Menino Jesus só apareceria para colocar os nossos presentes, no sapatinho que deixávamos na chaminé, depois de as crianças se deitarem pois, vá-se lá saber porquê, não queria ser visto por nenhuma. Apenas os adultos o podiam ver, como se gabavam na manhã seguinte, enquanto nós desembrulhávamos o que nos tinha calhado em sorte, numa excitação sem igual.

Nesse tempo, ninguém ouvira ainda falar do Pai Natal. O tempo era do Menino... Que saudades, meu Deus, desses e outros Natais!



publicado por daplanicie às 12:45
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