Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

Os números da greve

Estou muito decepcionada com os resultados da greve geral de ontem. Isto, partindo do princípio de que as percentagens avançadas pelo governo estão correctas, o que me parece improvável. Apesar disso, e mesmo que tenham sido mais 15 ou 20% do que os 13,75% referidos ficaram muito aquém daquilo que seria de esperar em face do descontentamento geral e da crise que se vive no nosso país. Será possível que apenas 13 em cada 100 trabalhadores esteja insatisfeita com o estado em que as coisas se encontram ou será que já se está a sentir o reflexo do medo de sofrer retaliações aquando das avaliações que terão que ser muito positivas caso se queira progredir na carreira e, em alguns casos, não ser posto no "olho da rua" depois de anos e anos de serviço?

Se é a primeira hipótese a correcta fico atónita pois não consigo conceber como é possível alguém andar satisfeito com as injustiças e desmandos que ultimamente se têm visto por cá.

Se é a segunda hipótese a que corresponde à realidade e na minha humilde opinião foi mesmo isso que aconteceu, então estamos mesmo a voltar ao "reino do terror" de onde saímos há 33 anos.

sinto-me:
publicado por daplanicie às 14:24

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Há dias assim

Há dias assim, em que tudo parece menos colorido, menos quente, menos feliz.

Há dias assim, em que nos apetece sair só para não estar em casa mas em que acabamos por ficar porque também não nos apetece ver ninguém.

Dias cinzentos embora o sol brilhe, dias pálidos embora o céu tenha um azul maravilhoso.

Poderia definir este estado em que me encontro com uma pequena palavra que julgo ser do conhecimento geral: NEURA. Haverá alguém que possa dizer que nunca se sentiu assim? É um estado indefinido em que nos sentimos estranhos mas não sabemos bem explicar o que temos. É terrível! Ficamos irritadiços e de má cara com tudo e com todos. De repente podemos começar a sentir-nos bem...para logo de seguida voltar tudo de novo.

Estar com a "telha" é mais incómodo para o próprio do que para quem nos rodeia porque podem mandar-nos dar uma volta e virar as costas. O pior somos nós próprios que temos mesmo que nos aturar...É deveras complicado!

Talvez seja um ataque de individualismo porque só me apetece estar sossegada e não me apetece falar com ninguém. Queria estar agora na praia, a olhar o mar. Isso ia acalmar-me de certeza...

A verdade é que não me apetece estar fechada e preferia um espaço mais amplo, onde pudesse ver a quilómetros de distância. Parece-me que isto de estar com a neura me está a dar cabo do juízo. Já nem consigo ser coerente!!

sinto-me:
publicado por daplanicie às 14:42

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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

solidão

A solidão mata, faz ter vontade de morrer. A solidão só procura a solidão e quanto mais uma pessoa se isola mais isolada quer estar. Há a solidão voluntária, de quem quer viver apenas consigo próprio sem se aperceber que, se temos alguma chance de ser felizes, é através do que damos aos outros e do que os outros nos dão. Há também a solidão imposta, que vem da marginalização de uma sociedade que não está feita a pensar nos idosos, nos deficientes, nos que são de alguma forma diferentes do comum, seja por que motivo for.

Quando as pessoas se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento. O cenário torna-se deprimente. O futuro sem esperança. Para além disso, as pessoas solitárias são as que estão mais dispostas a contrair doneças físicas e psíquicas.

A solidão ataca tanto idosos como jovens, pois a adolescência é uma fase da vida em que as emoções são vividas ao extremo e a incompatibilidade com os outros e consigo mesmos faz com que se isolem do mundo.

O meio urbano, ao gerar diferentes dinâmicas de relacionamento entre os indivíduos, tende a marginalizar os mais fracos, incapazes de manter o seu ritmo e a apagá-los, retirando-lhes qualquer visibilidade social. Envelhecer na cidade é arriscar-se a acabar os seus dias cada vez mais só. Os idosos já não ocupam o lugar que tinham há sessenta anos. O respeito tornou-se menos profundo. 

 É a desumanização dos grandes meios urbanos.


 

sinto-me:
publicado por daplanicie às 12:25

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Capital

Lisboa é uma cidade que me agrada. Tem uma mistura subtil de antigo e moderno, de calma e bulício, de pessoas de todas as cores que correm apressadas a caminho das suas vidas.

Mas há uma coisa em Lisboa que me desagrada profundamente que é o trânsito parado, em longas filas que avançam qual caracol, sejam que horas forem. E depois há aquela falta de civismo e a grande impaciência que faz com que se ouçam constantemente buzinadelas que, ao contrário do que acontece nas cidades do interior, não se destina a cumprimentar o vizinho do lado ou algum conhecido que vai passando. São toques coléricos que significam "sou o maior a conduzir e irrita-me que um estúpido como tu me venha pr'aqui incomodar!". E isso é uma coisa que me deixa aborrecida e tira um pouco o prazer de uma ida à capital.

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Ainda as provas de aferição

Ainda a propósito das famigeradas provas de aferição, tenho que manifestar o meu repúdio por haver pessoas que, encontrando-se em posições de destaque e onde podem dar ordens aos outros, lhes suba o cargo à cabeça e lhes dê para mandar e desmandar as coisas mais disparatadas e de tal forma anedóticas que, se não fossem tristes pelo que fazem lembrar, seriam motivo de boas gargalhadas.

Esta semana tem sido pródiga em notícias que fazem lembrar o tempo da "outra senhora" e esta é mais uma que, ao sabê-la me deixou entre o chocado e o incrédulo.

Então não é que num concelho do nosso distrito foi dada a ordem a todas as escolas para que, durante o decorrer das provas de aferição, não fosse permitido aos rapazes irem de calções e, às raparigas, irem de minissaias, tops, ou até blusas de alças...Parece que o motivo que levou a tal ordem foi o de que esse tipo de vestuário iria provocar a distracção das outras crianças e, por isso, prejudicar a prestação das ditas provas.

Repare-se que estamos a falar de provas prestadas, na sua generalidade, por crianças de 9 (4º ano) e de 11 anos (6º ano). Será mesmo possível que alguém em seu juízo perfeito e no pleno uso das suas faculdades mentais julgue que uma minissaia ou um top farão dar a volta à cabeça à rapaziada??!! Nesta idade eles querem é andar à luta, imitando o wrestling , jogar à bola e, de vez em quando andar à pancadaria com um ou outro que os chateie. E olhem que eu sei bem do que falo, já que lido com eles diariamente.

Estamos definitivamente cada vez mais perto dos tempos dos nossos pais em todos os aspectos. Mas só nos piores porque nos tempos que correm há violência, raptos, pedofilia, crimes horrendos com que ninguém nesse tempo sonhava.

publicado por daplanicie às 15:42

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Salários congelados

Ontem gelei de manhã e não consegui descongelar durante todo o dia. E tudo por causa da notícia de choque do dia de que os salários continuarão congelados durante mais uma série de anos. 

Se o custo de vida continuar a aumentar desta forma qualquer dia seremos forçados a arranjar formas alternativas de ganhar mais alguma coisita.

Assim, somos capazes de ver muito boa gente a arrumar carrinhos do Modelo ou de mão estendida à porta das igrejas. O pior é que também vai haver cada vez menos pessoas a poder dispensar uma moedinha. Já diziam o Agostinho e a Agostinha (saudosa Ivone Silva e o Camilo de Oliveira) "Isto é que vai uma crise!!!".

publicado por daplanicie às 10:45

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Curso de Formação para Homens

Curso de formação para Homens em geral e maridos em particular


Objectivo pedagógico: permitir aos homens desenvolver aquela parte do cérebro de que ignoram a existência e, eventualmente, ganhar o respeito e admiração femininos.

Módulo 1: Pré-formação

1- «A minha mulher não é a minha mãe». (350 horas)
2 - Entender que o futebol não é nada mais que um desporto e que ficar fora do mundial não é a morte. (500 horas)

Módulo 2: Vida a dois

1- Ter filhos sem se tornar severo (50 horas)
2- Deixar de dizer idiotices quando a mulher recebe as suas amigas (500 horas)
3- Superar o síndrome de posse do comando da TV (550 horas)
4- Como não urinar fora da sanita - Visualização de casos práticos em vídeo (100 horas)
5- Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800 horas)
6- Como chegar até ao cesto de roupa suja sem se perder (500 horas)
7- Como sobreviver a uma constipação sem agonizar (100 horas)

Módulo 3 - Tempo livre

1- Passar a ferro uma camisa em menos de 2 horas (exercícios práticos)
2- Digerir cerveja, água, vinho ou qualquer outra bebida sem arrotar à mesa (exercícios práticos)

Módulo 4 - Curso de cozinha

1- Nível 1 - principiantes - Os electrodomésticos: ON=ligado, OFF=desligado
2- Nível 2 - avançado - A minha primeira sopa instantânea sem queimar a panela
3- Exercícios práticos - Ferver a água antes de juntar a massa

Este curso está a ser promovido pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, e nem imaginam a quantidade de patrocinadores!!!!

 

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publicado por daplanicie às 12:08

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Professor demitido

Este cantinho à beira-mar plantado é um manancial de histórias e bizarrias sem fim, disto não tenho a menor sombra de dúvida. E digo isto, neste caso, referindo-me à mais recente "bomba" do panorama político/social português.

Parece que um professor, que exercia as suas funções na DREN, terá feito, no seu gabinete com um colega, um comentário jocoso acerca da anedota que é o caso da licenciatura do nosso Excelentíssimo Primeiro Ministro Professor Doutor Engenheiro José Sócrates (esta "arreata toda de títulos é para me precaver do caso do senhor vir ler o meu blog, não vá ele também querer destituir-me do meu cargo).

E vai daí a senhora directora regional achou por bem abrir um processo disciplinar ao dito senhor professor e destituí-lo imediatamente das suas funções naquela Direcção Regional. Não satisfeita com esse facto, ainda accionou um inquérito no Ministério Público. A senhora em questão deve achar que fazer uma piada sobre José Sócrates é um crime de Lesa Majestade, punível, quem sabe, com pena de prisão agravada ou até com o degredo.

Na minha opinião seria melhor que começassem desde já a construir mais estabelecimentos prisionais se tencionam prender quem falar mal do governo porque tal acontece diariamente em cafés, transportes públicos e gabinetes, de Norte a Sul de Portugal. Já um honesto cidadão não pode, no decorrer de uma conversa privada, fazer um desabafo sobre um governante sem olhar de soslaio ainda assim as paredes não tenham ouvidos e não vá o diabo tecê-las.

Nunca estivemos tão perto do regresso do "lápis azul", é aquilo que vos digo!

Ao colega alvo desta injustiça, envio a minha solidariedade certa de que é partilhada por todos os colegas do nosso país.

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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Provas de Aflição

Foram hoje realizadas, em todo o país, as provas de aferição de Língua Portuguesa dos alunos de 4º e 6º anos de escolaridade.

Ainda não consegui vislumbrar bem para que servem uma vez que, ao não contarem para a transição ou não, nem terem qualquer valor na avaliação dos alunos, e sendo este facto do conhecimento dos mesmos, é óbvio que a maioria não está para se maçar muito até porque há coisas muito mais importantes para fazer, tal como jogar à bola e brincar com os amigos.

Dizia um aluno meu que não prima pela inteligência, até porque isto de estudar dá muito trabalho: "Não me correu muito bem mas não faz mal porque isto também não interessa para nada". À minha pergunta sobre quem lhe tinha dito tal coisa, respondeu que tinha sido a mãe.

Ora vejamos, se os pais acham que isto não interessa nada e transmitem isso aos alunos, como vão as ditas provas servir para avaliar os alunos e os professores?! Não é claro como a água que um grande número de alunos fez hoje as suas provas "na desportiva"?

Se as coisas fossem como no meu tempo que podíamos ser brilhantes alunos durante todo o ano mas se chegássemos ao dia da prova e não mostrássemos o que valíamos, nem Nossa Senhora nos ajudava...era reprovação certa e sabida, é que ficavam a saber como era penar sem fim. 

E depois, aquele ritual todo de estrear roupa nova ( sim, porque aluno que se prezava estreava farpela do bico dos pés à cabeça para ir fazer os exames de final de ano!!), de ir para a escola acompanhada da mãe (o que só acontecia em ocasiões muito especiais), de entrarmos na sala sendo chamados por alguém que não conhecíamos (quase sempre carrancudo), de dobrar com todo o cuidado a margem das folhas de 25 linhas (há quem nem sequer saiba o que isto é!), preparar as canetas de tinta permanente (que borravam tudo mesmo nos momentos mais impróprios) e o papel mata-borrão (que pouco ajudava quando o borrão era grande!), tudo isto sob o olhar atento e circunspecto do examinador, que normalmente nunca tínhamos visto mais gordo, dava cabo dos nervos a toda a gente. Mesmo àqueles que fingiam estar-se nas tintas para tudo.

Essa sim eram verdadeiras provas de...aflição!

publicado por daplanicie às 16:19

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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

Histórias do povo

Cresci a ouvir uma história contada por um tio, pessoa sempre com um dito na ponta da língua a respeito de toda e qualquer coisinha, que conta com um toque de humor muito característico.

Reza esta história que havia uma família muito pobre que, estando reunida à volta do lume sem ter nada que cear, lamentam a triste sina.

O pai, para tentar distrair toda a gente da fome que sentem, começa a falar-lhes de como tenciona ir brevemente comprar um porquinho que criarão até ficar bem gordinho e pronto pra matança.

A mãe entusiasmada com a conversa, dá a sua achega dizendo que, do porco, farão belo enchido que os alimentará o resto do ano e a carne, posta na salgadeira durará bastante tempo. Animado com o que ouvia, o irmão mais velho diz que no próprio dia da matança tirarão a barriga de misérias com a carne frita acabadinha de tirar do porco e cozinhada de imediato ao lume da lareira.

E logo o mais novo, todo contente, diz " Ah, que bom! Depois posso molhar o pão no molho da carne frita, que eu gosto tanto!". O irmão responde-lhe com maus modos que quem come o molho todo é ele já que é o mais velho e é ele que ajudará o pai a matar o porco.

O pequeno, a chorar, queixa-se ao pai "Oh pai, olhe lá o meu irmão que não me deixa molhar o pão!". E o pai não está com meias medidas, dá um tabefe no filho mais velho ao mesmo tempo que grita encolerizado " Deixa lá o rapaz molhar o pão, garganeiro !".

Quando a história chega a este ponto é gargalhada geral de todos os ouvintes, porque é fácil imaginar o caricato da cena.

publicado por daplanicie às 15:45

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