Sábado, 30 de Junho de 2007

Birras de crianças

Estava eu muito aborrecida na fila do supermercado que parecia não ter fim e que enguiçava a todo o instante ou porque a senhora não tinha pesado as cebolas ou porque o produto não tinha código de barras, etc , quando começo a ouvir atrás de mim uma vozinha exigente que dizia em tom de autoridade "Mas eu quero!".

Voltei-me para ver e realmente o tamanho do dono não correspondia à autoridade que transmitia pois tratava-se de um pimpolho com uns 4/5 anos no máximo. Pus-me a observar e, quando ouvi a voz da mãe muito fraca e hesitante a dizer "Oh filho, mas não pode ser" pensei logo para comigo que estava o "baile armado" e ia haver espectáculo grátis.

E assim foi. O rapazito, depois de dizer novamente as mesmas palavras e de a mãe dar a mesma resposta, desta vez como se lhe pedisse desculpa, atira-se ao chão como se estivesse a ter um ataque. Bem pensando bem, estava mesmo a ter um ataque...mas era de má criação!!

A senhora, do mais constrangido, puxava-o pelo braço e dizia para ele se levantar porque viu que as pessoas à volta começavam a prestar atenção, alguns com uns sorrisinhos sardónicos de esguelha.

O miúdo também se apercebeu da atenção que despertava e isso não lhe desagradou nadinha: vá de gritar e espernear de tal maneira que mais parecia que o estavam a matar. O certo é que o bom do miúdo parecia um corpo morto estiraçado no meio do chão e a mãe, cada vez mais embaraçada, não conseguia de forma nenhuma levantá-lo. Ia tentando e dizendo "Levanta-te. A mãe compra noutro dia.". E veio logo pronta a resposta do pequeno Maquiavel de calções. "Mas eu quero já!".

E aquilo foi dito em tal tom que a senhora deve ter ficado aterrorizada e surtiu um efeito dos diabos. Respondeu-lhe logo "Pronto, está bem, a mãe compra.".

Oh meus amigos, aquilo parecia milagre. O puto levantou-se num ápice, sorridente e bem disposto, das lágrimas (de crocodilo) nem  vestígios.

Até me fez lembrar o filme "O exorcismo" quando o padre arranca o diabo do corpo da rapariga e, de um instante pro outro, até as feições se lhe modificam. Foi tal e qual. Do ser diabólico que guinchava e esperneava para gáudio dos assistentes não havia nem a menor sombra. Ali, no seu lugar, estava um menino meigo e bem disposto que até teve a amabilidade de dizer à mãe "gosto muito de ti!".

E lá foram buscar o objecto da birra que nem sequer cheguei a saber qual foi.

E fiquei a pensar que tive bastante sorte de nenhum dos meus 3 filhos ter sido responsável por um "espectáculo de supermercado". Ou será que não foi sorte?

 

 

 

 

tags:
publicado por daplanicie às 09:41

link do post | comentar | favorito
|
20 comentários:
De flor_incognita a 30 de Junho de 2007 às 11:02
O meu método de perguntar..."queres ter uma conversinha em privado?" ainda tem funcionado...realmente se há uma coisa que detesto ver é isso de uma criança fazer uma cena dessas...ai quando eu chegasse ao carro!Não gosto de castigos e violência...mas tudo tem limites!Gosto que a minha filha me diga que gosta de mim...e fá-lo...muito antes de eu lhe dar o que quer que seja...mas enfim nem todos aprendem...!
Lá diz a minha avó...á belas palmadas!

beijos e bom fim de semana
De daplanicie a 30 de Junho de 2007 às 16:29
É bem verdade, uma palmada bem dada na hora certa é um remédio milgroso pra curar birrinhas de crianças mal educadas. :-)
De Júlia a 30 de Junho de 2007 às 15:02
Estava eu a ler as várias hipóteses e a pensar: e se nada disto resultar? Até que cheguei à última. Baby-sitter? Há disso por cá? E quanto custa a birra?
A Pantley deve ser americana, não?
Um bom fim de semana
De daplanicie a 30 de Junho de 2007 às 16:32
LOL deve ser, sim que isto das baby-sitters é coisa de americanos. Mas uma avó também deve servir para o efeito se bem que elas às vezes têm o efeito de ainda estragar mais com mimos os netinhos de quem cuidam...
De Estupefacta a 30 de Junho de 2007 às 15:33
Pois é amiga.
Há para tudo um princípio e este começou na falta de regras e na falta de hierarquias.
O papel de pais e de filhos tem de estar bem marcado. Autoridade precisa-se, não autoritarismos.
Saber educar não é tarefa fácil, o pior é que esta ausência de limites leva a que estejamos a gerar adultos sem limites, facilitismos e.... não vai resultar.
Um beijinho grande
De daplanicie a 30 de Junho de 2007 às 16:34
Infelizmente cenas como esta são mais comuns do que se desejaria. Por isso mesmo parece que criaram praí uma "escola de pais". Se calhar precisava era de mais pólos espalhados pelo país todo!
De Milena a 1 de Julho de 2007 às 12:39
Infelizmente estas birras veem-se muito nos dias de hoje. os pais com o pouco tempo que têm para os filhos compensam-nos da maneira mais fácil: comprar tudo o que os meninos querem, e quando chegam a casa o brinquedo fica esquecido entre tantos que já tem. eu tentei criar os meus, não cedendo a este tipo de chantagens, e quando as fazem menos levam.~
este fim de semana vem um artigo interessante na revista do expresso, sobre o tempo que as crianças passam sózinhas em frente do televisor, máquinas de jogos, computador etc, e os maleficios que isso acarreta na educação deles.
Sei que é difici eles hoje viverem sem isso, mas criar regras de utilização é muito importante.
Eu já estou a planear passarmos aqui em casa um fim de semana sem televisão, computar, playstation, quero ver como corre...
Um beijinho
De daplanicie a 3 de Julho de 2007 às 10:03
E eles alinham nisso? Espero que resulte :-) Beijinho
De Milena a 3 de Julho de 2007 às 11:53
Vai ser dificil, mas pelo menos vou tentar!
De mad a 2 de Julho de 2007 às 01:07
A 1ª e unica birra feita por um dos meus filhos foi em pleno Modelo da nossa cidade.
Tambem disse "eu quero" e eu disse que não comprava, começou a fazer birra e a tirar as coisas das prateleiras. peguei no meu outro filho ao colo e vim-me embora deixando-o lá a espernear.
Algumas vozes diziam: "que mãe é aquela", "Coitada da criança",. Junto à porta no exterior ainda ouvia os gritos dele.
Meti uma moeda naquelas máquinas idiotas e o meu outro filho deu uma voltinha no carro do Noddy e de repente deixei de ouvir os gritos. olho e vinha ele, limpando as lágrimas e eu disse: já passou? é que aquele memnino que estava afazer birra não é filho meu pelo que não vais para casa comigo e espero que não se volte a repetir ok?.
certo é que nunca mais se repetiu e serviu de remedio para os dois.
De daplanicie a 3 de Julho de 2007 às 10:04
Não sei pq mas o modelo é o local de eleição do pessoal mais pequeno. É cada cena que n lembra a ninguém! :-)
De estoriasdaminhaterra a 2 de Julho de 2007 às 14:09
Como dizia a minha avó a mim e ao meu primo ( ainda antes de sequer pensarmos fazer uma birra) " levas duas lamparinas que voas 15 dias sem por os pés no chão". Remédio santo, nunca voamos mas também nunca fizemos birras, acho que a ideia de voar 15 dias sem por os pés no chão sempre nos fez vertigens. com os meus pais a história era diferente um Não convicto e um arregalar de olhos quando tentava dzer um " mas..." eram mais que suficientes. Infelizmente a educação já não é o que era...
De daplanicie a 3 de Julho de 2007 às 10:05
LOL Grande avó. Nem mais, é assim mesmo que se fala. Uma palmada na hora certa faz melhor do que 1000 tretas de psicologia. :-)
De diana oliveira a 8 de Julho de 2007 às 12:53
O que mais me irrita na minha família , (nem toda, ainda bem!) é o facto de deixarem os filhos nas horas das refeições, "ah balda" Diz o ditado, "quem não como por ter comido a doença não é de perigo".
Admite-se não comerem, fazerem a tal birra, porque 15m antes do jantar comeram chupas e gomas? E se os subornarmos com um chocolatezinho no fim do jantar até acabam de comer tudo? Acha-se isto normal? E a falta de postura à mesa, comer com as mãos e comer salta pela mesa toda, e lambuza o chão. Penso muitas vezes comigo mesma, se eram meus filhos, abençoada palmada que levariam. Crianças com idades tão pequenas precisam é de comer comeres em condições , precisam de defesas, não é assim que funciona. Tal e qual como são à mesa, são nos ditos supermercados, fóruns , etc. o espectáculo é sempre o mesmo. Quando os meus priminhos estão sobe a minha guarda, não à cá birras. Faz birra com o comer? Chora as tais lágrimas de crocodilos? Então hade chora-las com vontade. 1º não sai da mesa sem comer, não come tb não sai de lá. Depois quer brincar? Azar em minha casa brinquedos é coisa que não temos. E não me ensaio nada em lhe dar a dita palmada se for preciso ...

Por outro lado se o merecerem, iremos brincar em tudo o que é sitio e com as mais hilariantes coisas que invento para eles brincarem.. no fundo são uns amores que eu adoro ter cá, mas umas pestes que precisam de uma educação mais rigorosa.

Bjs..
De Sofia a 29 de Julho de 2007 às 18:06
Estava a pesquisar artigos na internet que me ajudem a lidar com os ataques de mau feitio do meu filho quando vi este post. Realmente, comparado o que tenho lido, o meu filho de 2 anos e meio é um santo. A única vez que se atreveu foi há uns meses, num café. Atirou-se para o chão porque eu não lhe dava um chupa. E eu deixei-o lá e saí porta fora, perante o olhar incrédulo dos clientes daquele café. Levantou-se e veio ter comigo. Até hoje não voltou a fazer nada parecido. O que mais me irrita é ouvir crianças com 4 ou 5 anos a chamarem "estúpida" às mães. Já assisti a muitos casos desses. O meu filho ainda tem 2 anos e meio e quando faz alguma mega birra em casa eu levo-o para o quarto e deixo-o lá ficar, digo que só pode vir ter comigo quando parar de chorar e resulta. Não me considero uma bruxa má mas temos mesmo que impôr limites! Até breve! Sofia
De daplanicie a 20 de Agosto de 2007 às 09:23
Obrigada pela visita e pelo comentário. É verdade, as crianças de hoje necessitam desesperadamente de limites e ser mãe é cada vez mais difícil, não é? Enfim resta-nos tentar sempre o melhor... Até breve
De Anónimo a 29 de Setembro de 2007 às 17:56
Olá, o meu filho tem 5 anos, e por acaso eu já passei por isso. Quando vamos só os dois ele pede-me só para ver os brinquedos, não faz birra, mas se vai alguem comigo, ele começa a berrar e não se cala enquanto não lhe derem o que ele quer.
De Cinthia a 10 de Outubro de 2009 às 13:13
Pois bem, andava eu aqui um pouco "perdida" procurando encontrar soluções para lidar com as fantásticas " birras do meu filho, quando dou de caras com estes comentários, pois é meus amigos acabei de me sentir uma inútil , pois vejo aqui que "deixei lá o meu filho a birra nunca mais se repetiu...", e se eu vos disser que o meu filho manda-se para o chão seja em que lugar for, eu viro as costas, vou embora e ele para além de não parar de chorar ainda faz pior, as pessoas só faltam me insultarem na cara de má mãe, até estúpida já me chamaram, e se não for eu a ir ter com ele, o meu querido filho também não vem ter comigo ( e acreditem que uma vez deu tempo de eu ir beber café e tudo, sempre de olho nele como é obvio...)
eu não posso ir a casa de ninguém sem ele fazer uma birra gigante, os meus amigos já tentaram muita coisa, eu ando desesperada...
sou sozinha a criar o meu filho e acreditem que sou uma mãe que fala com ele, explica as coisas mesmo que tenha que repetir o mesmo 1000 vezes, quando ele não está nem aí levanto a voz, as vezes leva umas palmadas, até já recorri ao desprezo ( até porque nunca vi ninguém morrer por chorar)...
Ele só faz o que ele quer e não admite ser contrariado, mesmo tendo em conta as vezes que o faço, tento explicar-lhe que a mãe sou eu, a minha vontade prevalece acima de tudo porque tudo o que faço é para o bem dele...mas adivinhem...sem resultado, ele pura e simplesmente não liga a ninguém...a menos que esteja com outra criança!
Estou um pouco desesperada mas sinto que tenho que ter cada vez mais paciência porque ele só tem 3 anos e 7 meses.
Alguém por ai capaz de me ajudar?
De adelaide Freitas a 30 de Setembro de 2010 às 13:28
Estou no mesmo barco! costumo brincar dizendo que o meu filho é um "diabinho da Tasmânia" tal é o barulho que faz. Ele tem dois anos e para além de já ter feito todos os cenários referidos neste blog também me "levanta a mão ou o pé" claro que perco a paciência e lá vem a palmada pedagógica. Já tentei a castigo ( 2 minutos na cadeira da reflexão como lhe chamo) já tentei ignorá-lo mas começam-me a faltar ideias. No infantário é um doce de criança em mas casa revela todo o mau feitio que tem. Enfim tenho a esperança que irá passar e que melhores dias virão!

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Emocionalmente Saudável

. Ano Novo, Vida Velha

. Esperar

. Aos meus amigos

. O valioso tempo dos madur...

. Filhos

. Sinto-me...

. Hoje

. Tirar o "S" da CRISE

. Chuva...chuva...chuva

.arquivos

. Janeiro 2014

. Julho 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

.tags

. todas as tags

.links

.on-line

website stats

.Contador

blogs SAPO

.subscrever feeds