Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

Até morrer

Foi preciso morrerem dois professores da forma como aconteceu para que finalmente a legislação vá sofrer alguma alteração e isto é uma coisa que me choca. Como docente consigo imaginar o desespero de um colega que, privado do seu instrumento de trabalho que é a voz, ser forçado a ir dar aulas ou de outra colega a quem foi diagnosticada leucemia ter que fazer cara alegre em frente aos seus alunos e ter que ir buscar forças sabe Deus onde.

Como se não bastasse a angústia da incerteza do amanhã que sempre acompanha os doentes que se vêem confrontados com um diagnóstico destes, ainda se junta o facto de a Junta médica que supostamente devia ser imparcial e isenta nos seus pareceres, ser influenciada por um funcionário da CGA que acha que não se devem dar baixas ou aposentações assim de mão beijada e que os professores devem é ir trabalhar.

Ainda ontem estive num seminário de Matemática para docentes do 1º e 2º ciclo e ouvi da boca de muitos colegas a quem sempre conheci como pessoas com vocação e gosto pelo ensino, serem unânimes em dizer que se tivessem hipótese de mudar de carreira não hesitariam em fazê-lo e isso entristece-me porque sinto exactamente o mesmo e a nossa profissão já é difícil quando a exercemos por gosto...que se dirá contrariados. Tudo isso este governo conseguiu em pouco mais de 2 anos. Que mais se seguirá??

publicado por daplanicie às 10:45

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7 comentários:
De estoriasdaminhaterra a 12 de Julho de 2007 às 11:32
Realmente é lamentavel que nem mesmo em casos como estes se tenha uma posição mais humana, acredito que isso se deva também em parte a uma má formação profissional ( já nem falo na pessoal) de algumas pessoas... Como diz o meu avô " Podíamos ser todos assim"...
De daplanicie a 12 de Julho de 2007 às 11:52
É impressionante a falta de sensibilidade de pessoas que, perante o sofrimento de outrém, se mantêm impávidos e serenos como se fossem donos e senhores da vida e da morte. Esquecem-se talvez que a qualquer instante podem estar "do outro lado" .
De Milena a 12 de Julho de 2007 às 11:33
Olá, estas noticias são sempre triste de ouvir.
Em relação à saúde o nosso país é terceiro mundista, acho que todos nós temos um medo horrivel de ficar doentes, porque para além da doença é o calvário em todos os aspectos de conseguir lidar com a situação, e é quando mais precisamos dos apoios que vimos como eles faltam.
Vivam os estádios de futebol, mesmo vazios, como é o caso do do Algarve, e vivam as enormes listas de espera dos hospitais. É o país que temos, e não será o que merecemos?
Beijinhos e parabéns atrasados para a mãe e filhote!
De daplanicie a 12 de Julho de 2007 às 11:55
Há pessoas que quando têm um pouco de poder se julgam autênticos Deus. Sejam eles políticos ou simples empregados da CGA.
Obrigada pelos parabéns e um beijinho :-)
De Raquel Alves a 12 de Julho de 2007 às 15:45
Estas situações são reprováveis e extremas. Mas, houve tempos em que muitos professores abusavam dos "Atestados". Todos nós conhecemos casos de profissionais da educação sem profissionalismo nenhum. "Pagam os justos pelos pecadores"?
De daplanicie a 12 de Julho de 2007 às 16:24
Na verdade houve tempo em que havia pessoas que abusavam dos atestados médicos mas eram na sua maioria atestados psiquiátricos que, como deve imaginar, são doenças difíceis de comprovar pois são as chamadas doenças invisíveis. Duvido que alguam vez alguém tenha conseguido atestados de médicos diferentes afirmando que a pessoa tem uma doença oncológica incapacitante. Parecem-me simplesmente casos de injustiça e prepotência pura e simples. Obrigada pela visita.
De Migas a 12 de Julho de 2007 às 16:38
É de facto muito triste o que se passou com estes professores. É muito triste e injusto. Para eles, para a familia, para a escola, para os alunos...
Mas é mais uma situação de "excesso de zelo". Durante muito tempo, ser professor era um recurso. "Se não tiver colocação na minha área vou dar aulas". E havia muitas escolas, principalmente as mais distantes dos centros urbanos, com professores a quem faltava formação e vocação. Muitos deles ainda estão no activo, pacientemente esperando a reforma.
E por tudo e por nada se faltava à escola. Era só escolher o artigo que melhor justificava as faltas. Mesmo as que não tinham justificação, mesmo as que se davam porque dava jeito.
Muito havia e há para mudar e algo tem que ser feito. Nunca agradará a 100% dos visados. Mas temos que começar por algum lado...
O caso destes professores não tem justificação. É urgente que se encontrem os culpados e prevenir situações futuras. Mas não é justificação para não mudar.

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