Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Coisas incríveis

Às vezes acontecem-me coisas que me levam a pensar que devo ter um íman que atrai coisas bizarras e inacreditáveis. Ainda nem há uma hora atrás, tocaram à campainha, fui atender. Ninguém respondeu e também não conseguia ver ninguém pela câmara. A cena repetiu-se outra e outra vez. À última vez responde uma senhora de sotaque brasileiro a perguntar-me se posso ficar com uma menina que ela encontrou aqui perto porque precisa de se ir embora para o emprego e não sabe o que há-de fazer.

Fiquei atónita e sem saber muito bem como agir e comecei a pensar que devia ser um novo truque de assalto a residências. Tenho um bocado de tendência para acreditar que todas as pessoas são boas e tenho uma característica naif que me esforço por superar porque, neste jardim zoológico em que vivemos, pessoas como eu normalmente são os alvos visados pelos predadores de todo o género. Então resolvi dizer-lhe que ia à varanda ver se conhecia a menina. E lá está ela, com uma menina de 2 ou 3 anos pela mão, que está só em cuequita como se tivesse acabado de acordar. Entretanto chega também um vizinho meu à varanda que lhe diz que há um infantário aqui perto e que a miúda deve ter fugido de lá. Dá-lhe as indicações e lá vai ela com a criança ao lado.

Fiquei a ver a cena e começa a formar-se-me um pensamento horrível de que ela pode ter raptado a miúda e depois ter-se arrependido e querer ver-se livre dela o mais rápido possível. A seguir ocorre-me a ideia de que ela realmente encontrou a miúda mas que como está cheia de pressa para ir trabalhar a vai largar lá mais à frente e que quem a encontrar pode não ser uma pessoa que toque às campainhas para ver se a conhecem.

Meu Deus, que sensação de aflição enorme. Vá de me vestir num ápice e lá vou eu a correr ao infantário. Realmente a senhora tinha lá estado mas elas não conheciam a menina. Disseram que enquanto a senhora insistia em a deixar lá porque não podia esperar mais, elas queriam ligar à polícia.

Nisto chegou um irmão da garota, descalço e branco como papel que andava à procura dela. Parece que ela estava a dormir a sesta e acordou sem eles darem por isso, saindo para a rua. E lá a levou para casa, feliz da vida de a ter encontrado a salvo.

No caminho de regresso a casa não me saía da cabeça como seria maravilhoso se todos os casos de desaparecimento de crianças tivessem um desfecho tão simples, rápido e feliz.

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publicado por daplanicie às 16:23

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12 comentários:
De Emanuela a 21 de Agosto de 2007 às 18:40
E por aí vemos como está difícil fazer o bem hoje em dia. A pobre senhora( com sotaque brasileiro) que se preocupou em não deixar a criança na rua, quase que ainda precisou responder a um inquérito policial... Haja boa vontade! Um abraço.
De daplanicie a 22 de Agosto de 2007 às 10:25
Quando vivemos rodeados de maldade às vezes torna-se difícil confiar. Felizmente tudo acabou bem! Obrigada pela visita e comentário. Tudo de bom
De Caty a 21 de Agosto de 2007 às 19:09
Olá!
Realmente é mesmo bizarro, mas ainda bem que acabou bem! É preciso "mil olhos"...
Beijocas
De daplanicie a 22 de Agosto de 2007 às 10:26
Tendo em conta como os miúdos são hoje em dia parece-me que nem mil olhos chegam. :-) Bjs
De flor_incognita a 22 de Agosto de 2007 às 09:27
Realmente, um acontecimento e tanto!Se tivesse acontecido comigo eu acho que tambem não saberia o que fazer...felizmente nem todas as pessoas são más e a dita senhora até tinha boas intenções, quem dera que todos fossem assim...mas infelizmente não é o que temos visto últimamente!
Bem , passei por aqui para deixar um...
beijinho!
De daplanicie a 22 de Agosto de 2007 às 10:27
E eu agradeço e retribuo o beijinho. Volta sempre!
De Antonovsky a 22 de Agosto de 2007 às 15:16
É uma situação bizarra que nos apanha de surpresa.
Felizmente que tudo correu bem.
De Blogadinha a 22 de Agosto de 2007 às 15:20
A ocasião facilita o ladrão e este parece-me um desses acasos dada a insensatez por parte de quem encontrou a criança. A pressa do momento não justifica o redireccionamento da sorte do momento para um fim igualmente desconhecido e perigoso. A polícia existe, e ao serviço do cidadão...

Obrigado pela visita ao blogue. Não conhecia o teu, mas gostei do que encontrei por aqui!

Felicidades.
De guiga a 22 de Agosto de 2007 às 15:59
MAs que história incrível! É assustador como pode acontecer uma coisa dessas e facilmente uma criança se pode perder no mundo! Felizmente foi encontrada por uma pessoa séria!
Imagino como te devias sentir! Eu faria o mesmo!!!

*.*
De Isa a 22 de Agosto de 2007 às 16:16
Realmente nada facil de dicidir...como o mundo anda..nunca se sabe o que esta por de tras de um toque de campainha...
ainda bem que tudo acabou em bem
De Júlia a 22 de Agosto de 2007 às 18:12
Ora viva!
Ainda não tive tempo de responder à pág. 161.
Afinal não sei se poderei ir à nossa terra. Cá também vai haver festa durante a semana. Porque não passa por cá antes de seguir para norte?
Beijinhos
De estoriasdaminhaterra a 24 de Agosto de 2007 às 12:10
Bem mas que filme, realmente a cena era um bocado suspeita, mas felizmente ainda há pessoas com" bons instintos", pobre senhora que a tentar ajudar ainda se habilitou a uma ida à polícia. Bem adiante. Quando tinha 3 anos fiz uma cena idêntica, fui para casa de umas primas brincar que, sendo mais velhas que eu naturalmente me deitaram para fazer uma sesta. Elas acabaram por adormecer e eu quando acordei e consciente que dormiam o sono dos justos, pirei-me descalça, rua acima até a casa do meu avô, para o baloiço do quintal... Logicamente que quando acordaram e não me viram o pânico instalou-se até eu entrar calmamente pela loja da minha mãe descalça e toda suja de terra como se fosse natural uma criança andar 200 metros por uma estrada movimentada sem ninguém dar por nada...

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