Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Novelas à portuguesa

Não há nada que seja tão típico do povo português como o " corte e costura". Isto é, até mesmo aqueles que fingem detestar coscuvilhices , quando alguém perto começa a cortar na casa de alguém e a dissertar sobre as últimas novidades sobre a vizinha do 1º direito, ficam de orelhinha alerta para saber se há alguma notícia sumarenta. Quem nunca tiver participado, numa roda de amigos, numa boa conversa de maldizer que atire a primeira pedra.

Agora outra coisa é o diz-que-disse patológico que chega ao cúmulo de, quando não sabe, inventar e isso, meus amigos, eu detesto. Detesto aquelas histórias mal contadas sobre a vizinha da frente que parece que bate no marido e que está presa por o ter agredido quando na verdade a dita senhora está de férias em Freixo de Espada à Cinta a fazer termas com a irmã. Ou do senhor do 4º Esq. que, coitado, já está gagá e acusou o carteiro de lhe roubar a carta da sua aposentação quando a verdade é que ele já a tinha retirado da caixa do correio e escondido debaixo do plástico que forra a terceira gaveta da cómoda do quarto. Ou ainda a história da D. Adosinda, empregada do senhor engenheiro, que parecia uma sonsa e, afinal, foi vista num bar de má fama com o homem do talho que, por sua vez trai a mulher há muitos anos com a aquela sirigaita do prédio do fundo da rua, para quem arranja sempre a carne mais tenra e a preço de custo...

Abomino a maledicência , aquilo que não foi dito nem feito mas que, por obra de uma mente mais imaginativa com falta de ter em casa com que se preocupar, passa a ser comentado por todos como se verdade absoluta e inquestionável se tratasse. Detesto a vontade de muita gente em fazer telenovelas com a vida alheia. Pois se eu nem das telenovelas televisivas gosto, quanto mais...

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publicado por daplanicie às 09:26

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11 comentários:
De A VER NAVIOS a 11 de Setembro de 2007 às 10:20
Pois é... mais uma vez estamos a abordar algo que tem a ver com a nossa cultura, com o falar em segredo, com a satisfação com o mal dos outros.
Creio sinceramente que isso está a passar, devagarinho... é verdade.
Permita-me uma brejeirice, porque na minha terra, para contestar tudo isto, dizia-se quando eu era miudo: Quem escuta, peidos ouve.
De daplanicie a 11 de Setembro de 2007 às 11:03
LOL Essa está muito boa! Se este tipo de conversas de escárnio e maldizer está a passar olhe que aqui para as acidades do interior não se nota nada. Pelo contrário, parece que cada vez é pior!
Cumprimentos e obrigada pela visita e comentário
De guiga a 11 de Setembro de 2007 às 11:38
Pois, eu também detesto. E detesto cinismos, o cumprimentar a pessoa, para depois falar mal dela. Isso abomino!

Bom dia! :)
Beijos *.*
De daplanicie a 12 de Setembro de 2007 às 12:49
Completamente de acordo com essa opinião!
Beijinhos
De Antonovsky a 11 de Setembro de 2007 às 22:02
De facto parece algo enraizado na nossa cultura. Também detesto palpites, cenários, suposições, hipoteses sem qualquer fundamento do que acontece, terá acontecido e que acontecerá. Tentam adivinhar o que se passa inventando tantas situações que uma acaba por acontecer e essas pessoas dizem todas satisfeitas:
- Eu já sabia.
- Eu vi logo.
- Eu não disse?
Se no totobola eu jogar tripla, acerto de certeza ;)
Cumprimentos
De daplanicie a 12 de Setembro de 2007 às 12:51
Como dizia o outro que ia ser pai " se não for rapaz é rapariga" ! :-)
Cumprimentos
De sociolocaminhar a 12 de Setembro de 2007 às 01:56
Est à difícil, de modificar este estado cultural do povo português, não sei se só do Português, mas se calhar de muitos outros povos.
No passado , ainda não muito longínquo
parecia que se estava a avançar para uma sociedade outra .
Porém , est à difícil de mudar esta mentalidade comezinha que é própria de um povo que vive ainda num estado cultural pouco avançado.
Por outro lado este pretenso domínio sobre o conhecimento da vida de uns e de outros é uma manifestação de Poder sobre os outros, que
Condiciona a forma de Vida e impede a liberdade .
É alias uma manifestação de tempos ainda na memoria de um controlo total sobre a sociedade que se fazia , vizinho a vizinho.
O que me preocupa não é pois que ainda se não tenha perdido este habito de controlar o vizinho do lado .
O que me preocupa é que : os que detém a capacidade de introduzir a mudança Cultural e de Transformar as mentalidades , não só não o façam como ainda e cada vez com maior acutilância, não só o ajudem a manter , como fomentem esta forma de Vivenciar a vida.
De quem falo?
Das elites Sociais, dos Jornalistas, das televisões.
Das telenovelas a toda a hora e dos programas que nos entram porta dentro nas horas em que a televisão é um dos meios que nos inculta uma determinada cultura da vida e do ser .
falo também dos Políticos que nos governam e que permitem que as queixas sobre o colega de trabalho sirvam para , a promoção dos queixinhas .
Preocupa-me que isto se passe num pais que se pretende Europeu e nos primórdios do séc. XXI.
Preocupa-me que se dê assim sinais à sociedade que o bom é dizer mal deste e daquele , e procurar os eventuais defeitos deste e daquele e que este conhecimento se mantenha uma forma de poder e de controlo sobre o outro .
Isso preocupa-me.
Mas preocupa-me fundamentalmente a apatia com que aceitamos que tudo isto se passe a nossa volta e nada façamos para inverter este estado de coisas.
bons sonhos

De daplanicie a 12 de Setembro de 2007 às 12:54
É fruto de pessoas com vidas pequeninas cuja distracção é falar da vida dos outros porque não têm dinheiro para ir para spas e cruzeiros de luxo. Não há nada mais económico do que falar mal da vizinha do lado! Esperemos que mude para melhor a breve prazo.
Cumprimentos
De CARPE DIEM a 12 de Setembro de 2007 às 11:50
E o pior é que inclusive os nossos meios de comunicação social afinam todos pelo mesmo diapasão coscuvilheiro longe da abordagem dos factos séria e profissional.
abraço
De daplanicie a 12 de Setembro de 2007 às 12:57
Exactamente, este gosto pela vida alheia é espicaçado pelas revistas e jornais que pensam que fazer jornalismo é dizer que a Pititi se divorciou do Sebastião Maria de Mello e Sá Bettencourt... e que a Blecas foi passar um fim de semana no alentejo que é "supé fino".
Que tristeza franciscana!!
Cumprimentos
De Nettwerk van Helsing a 18 de Setembro de 2007 às 00:26
Oh, isso nas terras daonde vim, após estes últimos dias, é o pãozinho nosso de cada dia... não se faz mais nada, corta-se na casaca de toda a gente, até mesmo dos que já foram fazer tijolo. E é assim que se passam as refeições...

Cumprimentos.

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