Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Os jovens e a internet

Vi ontem uma reportagem onde eram analisados os resultados de um estudo sobre os vícios dos jovens. Este estudo refere-se aos últimos 8 anos e os seus resultados, que poderiam parecer bastante positivos à primeira vista, se analisados mais profundamente não o serão tanto como seria desejável.

Segundo este estudo houve uma grande evolução dos hábitos dos jovens neste últimos anos, tendo o consumo da tabaco baixado drasticamente, o consumo de drogas estabilizado e o do álcool aumentado, embora não de forma alarmante. Aparece no entanto um novo vício que tem tendência a aumentar cada vez mais e que está relacionado com o avanço impressionante da tecnologia a que temos assistido.

Nesse estudo, que contou com a participação de milhares de jovens que foram sendo seguidos durante esse período de tempo, verificou-se que o número de horas que cada jovem passa, diariamente, em frente ao écran do PC, aumentou de tal forma que chega a ser alarmante.

Era referido o caso de um jovem de 22 anos, que desistiu do seu curso de engenharia porque lhe ocupava muito tempo, que apenas tem um emprego num call-center em part-time para ter mais tempo livre e tudo isto para quê? Para passar horas e horas a jogar on-line.

A família, que não quis ser filmada, disse ao jornalista que há muito tempo que ele não fazia as refeições com a família e que havia dias que mal o viam. O diálogo era inexistente porque ele, quando está em casa, está fechado no quarto a jogar e não quer ser interrompido.

Estava a assistir a esta reportagem e estava a ver ali o que foi a vida da minha família até há pouco tempo e conseguia sentir a preocupação daqueles pais porque também eu a senti durante meses e meses.

O meu filho mais velho também esteve viciado no mesmo jogo que aquele jovem joga e chegou a estar 16 horas seguidas a jogar, sem interrupção. Posso dizer que é uma terrível sensação de impotência porque quando um filho é independente financeiramente e tem 23 anos, há muito pouco que possamos fazer. Para nos consolarmos dizíamos que era bem melhor ele estar ali em casa, onde o sabíamos seguro, do que andar por aí até às tantas, sabe-se lá a fazer o quê, mas era um triste consolo porque o víamos pálido, com ar doente e qualquer tipo de conselho que tentássemos dar era encarado como uma crítica, um ataque e, portanto, mal recebido.

Chegámos a pensar em desligar a internet porque era fonte diária de discórdias entre todos, mas não achávamos justo privar o resto da família desse recurso. E então, quando não víamos luz ao fundo túnel e pensávamos que só iria piorar, assim de um dia para o outro, deixou de jogar.

Ninguém imagina o alívio que é voltar a vê-lo bem disposto, a brincar com o irmão, a conversar connosco, a ajudar em casa...É uma felicidade imensa tudo voltar ao normal. Queria deixar, por isso, a minha palavra de esperança para todos os pais que estejam a passar por este problema: não desanimem porque melhores dias virão.

 

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publicado por daplanicie às 11:31

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20 comentários:
De Lua de Sol a 18 de Outubro de 2007 às 12:47
Na minha altura, os computadores ainda não faziam parte da família... pelo menos, na minha infância e até (practicamente) adolescência. Mas lá em casa (na da minha mãe), a net só dá confusão. Muita discussão entre a minha mãe, a minha irmã e o meu padrasto... Agora, está um pouco melhor, que começou a sair com amigos, mas também toma refeições em frente ao computador, etc.. É claro que com um filho maior de idade é diferente, mas com adolescentes e pré-adolescentes, penso que os pais ainda têm uma palavra a dizer, mas como não estão para conflitos, para caras amuadas, vão deixando... Outras vezes, nem se apercebem do quão viciante o "negócio" pode ser e quando o compreendem é "tarde"... Ainda bem que por aí as coisas melhoraram.
Fiquei impressionada com o jovem que deixou o curso!!!! Ultrapassa tudo...
Eu acho é que a geração de agora vive menos. As tecnologias têm as suas vantagens mas também têm o poder de colocar as pessoas a viver virtualmente em vez de simplesmente viver...

Bjs
De daplanicie a 18 de Outubro de 2007 às 15:12
Tenho para mim que, embora eles nos olhem quase com incredulidade quando dizemos que na nossa juventudo era muito melhor do que agora, isso é realmente verdade. Ganhou-se em tecnologia mas perdeu-se em "vida" propriamente dito. Assusta-me pensar como será daqui a 10 anos!!
Bjs
De A VER NAVIOS a 18 de Outubro de 2007 às 13:51
Acho o seu texto interessantíssimo. Para além de uma leitura perfeita da reportagem, trata seguidamente do seu caso pessoal e do seu feliz desfecho.
A leitura deste texto vai seguramente, ser importante para muita gente.
Parabéns.

J. Lopes
De Milena a 18 de Outubro de 2007 às 14:53
Felizmente que para ti essa onda já passou.
mas infelizmente sei de uma pessoa conhecida que o filho também se desleixou nos estudos e a ele como pessoa por causa desse maldito vicio. Perdeu o ano escolar, engordou muitissimo, tornou-se num jovem antipático, até que os pais tiveram de tomar a decisão radical de cortar a internet em casa. Claro que os conflitos não se ficaram por aí, e ele passou a ír jogar para os internet cafés.
Agora já trabalha e parece que finalmente também está abandonar esse vicio, mas foi muito difícil para mãe lidar com esta situação.
De daplanicie a 18 de Outubro de 2007 às 15:16
Como comprendo o que passam esses pais! Desejo que tudo corra pelo melhor e que esse jovem se aperceba do que está a perder da sua juventude.
De daplanicie a 18 de Outubro de 2007 às 15:14
Muito obrigada pelas suas palavras que me deixam toda vaidosa :-)
Espero que seja importante para alguém que esteja a passar pela mesma situação.
Cumprimentos
De estoriasdaminhaterra a 18 de Outubro de 2007 às 15:20
Infelizmente, ou felizmente na minha adolescência a internet ainda era uma " coisa" acessivel apenas a alguns. As relações assim se faziam um bocadinho à moda antiga e os jogos também. Também vi a reportagem que fala, fez-me confusão,é estranho ver alguém praticamente da minha idade "desligar-se" do mundo que o rodeia e viver em função de um teclado e de um jogo. Algo vai mal na nossa sociedade, resta-nos a esperança que as coisas mudem!
De daplanicie a 18 de Outubro de 2007 às 15:43
A si faz-lhe confusão imagine a mim que já tou nos quarentas...É verdade que a vida actualmente está difícil e para os jovens ainda mais, mas deixar de viver para se refugiar num mundo virtual não me parece a opção correcta. A esperança é a última a morrer!
De guiga a 18 de Outubro de 2007 às 16:03
Também vi essa reportagem. Acredito que este será um problema dos tempos futuros. os jovens estão cada vez mais isolados, convivem eles e a máquina. Muitas vezes deixam de sair, de estar com os amigos para poder jogar, poder falar no msn... Mas, que sociedade é esta que prefere esconder-se atrás de um monitor, e falar toda a noite, do que olhar olhos nos olhos para alguém, sentir o cheiro, o toque? Estaremos nós cada vez mais frios, mais fechados, mais receosos das relações humanas?
Este assunto dá muito que pensar!

Beijos *.*
De daplanicie a 18 de Outubro de 2007 às 16:21
É o futuro que está já aqui. Interage-se com máquinas ao invés de o fazer com os que nos rodeiam. Como será daqui a 10 anos? Preocupa-me bastante, acredite.
Bjs
De sAndRa a 18 de Outubro de 2007 às 16:13
imaginaçao a sensaçao de impotencia que deve ser.
Tambem passei por essa fase de rebeldia e de isolamento, ja foi á alguns anos atras. Nao via os meus pais como conselheiros mas sim como pessoas que nao gostavam la muito de mim, ou nao me davam valor, nem sei bem. Sentia que implicavam comigo por tudo. E tornei pouco socialvel com eles e isolava me muito. Hoje sei que era tudo ciumes do meu irmao amis novo,eles nao mereceram. Contudo fez parte da minha aprendizagem e amadurecimento. Por isso nao leves a mal a reaçao do teu filho, ainda bem que ele tal como eu reparou na asneira que estava a fazer.
um beijinho
De daplanicie a 18 de Outubro de 2007 às 16:23
A fase da adolescência não é fácil nem para os jovens nem para os familiares. Já passei por isso 2 vezes e estou a começar a passar pela terceira vez já que o meu filho mais novo tem 12 anos. É um bocado assustador pensar em como será o futuro quando ele for da idade do irmão. Esperemos que tudo mude para melhor.
Beijinhos
De Migas a 18 de Outubro de 2007 às 23:23
Eu tambem vi essa reportagem e parecia absudo. A primeira reacção foi logo " O tipo é um anormal desequilibrado!"
Mas pensei melhor e lembrei-me que há pouco tempo atrás um amigo meu teve o seu casamento tremido por causa de uma "amiga" da net, que apesar de viver longe lhe estava a dar a volta à cabeça.
Logo isto é muito mais do que um problema de miudos.
Como é que chegamos ao ponto de trocar o real pelo virtual?
Ainda bem que com o teu filho ficou tudo bem.
Beijos
De daplanicie a 19 de Outubro de 2007 às 08:14
Dentro do vício da net ainda há essa vertente também. No caso dos jovens trata-se mais de jogos de acção que se jogam on-line com pessoas de todo o mundo e que os prendem por horas a fio. No caso de adultos muitas vezes acontece isso que referes com o marido da tua amiga. Parece-me que deve ter a ver com uma insatisfação com a vida que se tem e que leva a procurar esses "namoricos" virtuais.
Beijinhos
De Campeador a 19 de Outubro de 2007 às 07:37
É com grande honra e entusiasmo que venho saudar todos os membros deste Grupo, esperando poder vir a contribuir para uma perspectiva útil em diversos campos de actividade.

Como sou novo, agradeço o favor de me orientarem nos propósitos que me animam.

Um abraço

Tchumba
De daplanicie a 19 de Outubro de 2007 às 08:19
No que puder estou à disposição para te elucidar de alguma dúvida mas aviso já que não sou nehuma expert na matéria. Boa sorte.
Cumprimentos
De drink a 19 de Outubro de 2007 às 08:11
Esta é uma história com um final feliz, porque poderia não ser assim, e sejamos realistas não é verdade?

Eu percebo o vicio do jogo, porque aquilo é uma coisa que nunca tem fim apesar de ser sempre a mesma coisa. E o problema é mesmo esse, é não ter um nível que indique o fim do jogo. São mesmo criados para se jogar horas a fio. E o tempo de espera de um round para o outro é tão pouco que quando nos apercebemos já estamos lá outra vez.
Bem, eu não me privo de sair para estar no computador, mas sinto falta dele por vezes, quer dizer depende do que estou a fazer claro.
A inicio o jogo é feito com o propósito te ser diferente, e com fins lucrativos, sendo ao mesmo tempo um desafio para os programadores (estes que também estão horas a fio nele). Quanto mais viciar os jovens melhor é o jogo. É +/- esta a filosofia da coisa.
Falo porque sei, estou em informática. Um curso que só por si já me obriga a dedicar algum tempo ao computador. Se bem que o trabalho em campo também é muito importante, mas esta não é a ideia que fica. Informático = nerd, é o que as pessoas pensam.

O problema está em que fica viciado, porque para a empresa que lança o jogo, esses não querem nem saber das consequencias. Ainda não vi nenhum jogo do genero desses, vou falar naquele que deve ser o mais conhecido, Counter-Strike (CS), não vi a half-life a fazer outro tipo de jogo para combater esse problema, pelo contrario vejo mais mapas, e versoes mais recentes do jogo, com coisinhas novas que "nos" aliciam.

Desculpe o testamento
Bjinho
De daplanicie a 19 de Outubro de 2007 às 08:18
Agradeço imenso o teu comentário até porque és jovem e ainda por cima estás a tirar um curso relacionado com o tema e isso é muito importante porque tens logo outra perspectiva. O jogo do meu filho chama-se World Warcraft ( acho que é isto) e foi um pesadelo enquanto durou. Era bom que as pessoas não pensassem só nos lucros e mais nas consequências do que fazem mas a nossa sociedade é mesmo assim.
Beijinhos e bom fim de semana...ao ar livre :-)
De drink a 19 de Outubro de 2007 às 14:20
Ah, é o famoso WoW (o jogo), sim sei bem qual é, apesar de não achar piadinha nenhuma ao jogo. Há colegas meus na minha turma que também passam horas a fio. Um dos problemas desse jogo, para os mais viciados, é ter que se pagar para jogar. É barato, e caro ao mesmo tempo, está em média os 20€ por mês . Pagar implica, poder jogar em vários servidores, é como poder ter internet, temos que pagar à entidade para ela nos servir. E no servidor estão milhentas pessoas com quem podem jogar, trocar impressões e por ai fora.
Não sei se reparou nisso, mas se o seu filho foi mesmo viciado de certeza que também pagou algumas vezes para jogar. (peço desculpa se assim não foi).

Sinceramente não sei como prever um vicio destes, acho que é preciso estar-se muito atento aos primeiros sinais, e ter actividades em família . Porque muitas vezes mesmo sem o jogador se aperceber, já é viciado.

bjinho e bom fim-de-semana também.. ao ar livre com certeza!
De Patrícia a 4 de Maio de 2010 às 21:03
Olá, sou a Patrícia e tenho 17 anos.
Escrevo este comentário para apoiar não só os pais que tenham filhos a viver esta situação mas também para apoiar os amigos e namoradas que tenham passado grandes momentos com essas pessoas.
Este assunto toca-me profundamente porque durante 2 anos o meu namorado foi viciado num jogo.
Era tudo perfeito, ele era um desportista com muitos amigos e cheio de vida- Quando começou a jogar não me importava, ele disse me várias vezes que estava tudo sob controlo mas a verdade é que não estava. Ele deixou de fazer desporto, de sair com os amigos para ficar 18 horas em frente ao computador por dia, só saia para dormir e mesmo assim não descansava bem a pensar que tinha de jogar.
Passados meses ele estava irreconhecivel : pálido, com aspecto doente e olhos vermelhos. todas as vezes que o tentava chamar à razão ele era agressivo coisa que antes não era. Não conseguia ver mais nada para além do jogo... perdeu todos os amigos e ganhou + 30kg . Ele não saía do quarto, só para ir buscar o prato de comida à cozinha e para ir a casa de banho,ficou 2 verões inteiros trancado no quarto, os pais nem o viam praticamente porque ele trancava a porta do quarto para ninguém o interromper. Perdeu o ano e quase me perdeu a mim que continuei sempre ao lado dele tentado que ele parasse.
Precisei tomar medidas drásticas, os pais dele nao sabiam o que fazer e eu era a única que conseguia falar com ele para alem dos amigos virtuais. Nesse dia ele acordou e ainda hoje me pede perdão por tudo o que me fez passar: maus tratos, desprezo....
Em Setembro vamos fazer 3 anos de namoro e ele está a voltar para mim, recomeçou a fazer amigos, vai ao ginásio e ainda me oferece rosas quase todas as semanas. Hoje diz que não teria conseguido sem mim. Por isso quero mandar um grande abraço a todos os pais que não sabem o que fazer porque é um situação realmente dificil de ultrapassar.
Beijo, obrigada pela atenção.
P

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