Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Tempos de infância

Que saudades eu tenho dos meus tempos de menina. De sentir que tudo era passível de ser conquistado nesta vida desde que se lutasse por isso. Foi uma infância tão feliz, a minha, com a minha mãe sempre presente e cheia de tempo para mim.

Na minha infância o tempo não tinha “peso”. Era uma espécie de pluma colorida que flutuava ao sabor da brisa, na eterna brandura de dias longos e inimitáveis em que, na brevidade dos minutos, se bebiam horas de alegria e de prazer.
Na minha infância o tempo não tinha “pressa”, nem fazia exigências. Era um amigo, um companheiro de brincadeiras de sorriso travesso e rasgado que jogava, sempre, a nosso favor.
Na minha infância o tempo ainda não tinha aprendido a “correr”. Sabia, apenas, caminhar e fazia-o sem sobressaltos, a pequenos passos de criança para um fim anunciado que, no entanto, se perdia de vista nos confins do horizonte.
Na minha infância não se “perdia” o tempo. Isso era uma impossibilidade, já que ele era tão abundante que sobrava sempre, em demasia.
Na minha infância, nunca se confundia o tempo com as condições meteorológicas do país. Um e outro conceito significavam, apenas, que se estava numa das quatro estações do ano. Por isso, quando os dias eram “negros” não se procuravam razões obscuras, estava-se, simplesmente, num dia de Inverno.
Na minha infância, tudo parecia duradouro e perene. Não havia “tempo morto”, nem ninguém sentia necessidade de arranjar pretextos para “matar o tempo”.
Na minha infância valorizava-se a lealdade. Não me recordo de quem quer que fosse, que incorresse, sequer, no pensamento de pretender “enganar o tempo” e se alguma vez se tentava “empatar tempo”, era apenas por questões de igualdade e “fair-play”, nunca por ócio ou preguiça.
Na minha infância, o tempo era total e absoluto, valia por si, não precisava do relativismo de apêndices para se impor na vida de cada um e todos eram muito mais felizes…

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publicado por daplanicie às 16:41

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4 comentários:
De nuncaetarde a 4 de Dezembro de 2007 às 19:09
O seu texto fez-me lembrar também a minha meninice. Sem televisão para roubar os diálogos familiares. No sítio onde morei até aos 12 anos, na Serra do Monsanto (Lisboa) na quinta onde hoje é o campo de Futebol Pina Manique, havia perto outras casas e nas noites de Verão juntavam-se todos a apreciar o Luar e a conversar e os jovens faziam rodas e cantavam. Então nos Santos Populares ainda me recordo das Fogueiras e dos ver saltar à fogueira. Eu fui sempre muito retraída e limitava-me a ver.
Belos tempos ! hoje só se ouvem palavrões, não respeitam nem adultos nem crianças.
Não digo que sejam todos, mas a maioria é assim.
O meu netinho que tem 10 anos foi há uns meses atrás ao aniversário duma colega do colégio. Quando a m/filha o foi buscar, ele disse-lhe : Sabes, a nossa família está fora do contexto, a mãe da (não sei o nome)diz muitas asneiras, mesmo para filha, nunca pensei !!!!
É triste, mas é verdade.
Desculpe o testamento
Carmina (nuncaetarde)
De Flá a 5 de Dezembro de 2007 às 10:20
desde já lhe apresento um pedido de desculpas pela minha longa ausência ...i claro desde já a parabilizo também pelo facto de conseguir manter o elevado nível de qualidade do seu blog...ainda sou tão novinha e sinto já saudades da infância , e que saudades, ausência de responsabilidades, a beleza de tudo, a ausência de hipocrisias, a inocência ...as pessoas que amamos todas connosco , e os sonhos de menina...foi muito bom lê-la e recordas a infância nesta altura de tantas agitações.

beijo

http://souumapinxexalinda.blogs.sapo.pt
De Antonovsky a 5 de Dezembro de 2007 às 17:27
Concordo em absoluto. Hoje, os dias parecem mais pequenos e a pressa de viver e a ansiedade que nos empurra na rotina, é transmitida por nós próprios às crianças... Infelizmente. :(
Cumprimentos
De nofimdoarcoiris a 7 de Dezembro de 2007 às 17:24
Ai amiga, como este texto me levou até aqueles anos que nunca vou esquecer, onde tudo era tão simples...
Um grande beijinho

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