Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Névoa

Detesto esta névoa que me limita os horizontes reduzindo-os a um espaço ínfimo de alguns metros. Gosto de poder espraiar a vista pela magnífica planície alentejana matizada, nesta época, por magníficos tons de castanhos da terra e avermelhados das vinhas.

Sem saber explicar porquê, desde criança que dias como este me deixam num estado de prostração deprimente. Há dias assim. São aqueles que amanhecem  negros e continuam sempre enevoados.
É nestes dias que uma palavra é necessária para mas não em demasia. Não é preciso nenhum discurso, nem conversa fiada, basta uma simples palavra ou um sorriso.
É preciso aprender as palavras como se aprende o silêncio.
Não devemos arrepender-nos das palavras que se tornam indispensáveis em qualquer momento da vida, ou arrependermo-nos de não as ter dito. Elas são o nosso elo de ligação com os outros, tal como o silêncio.
No entanto, não abusemos delas. Elas são preciosas, devem ser ditas nos momentos bons e maus, mas na altura certa, com a entoação certa. Utilizemo-las como um tesouro precioso que nos abre ou fecha uma porta.
É assim que se aprendem as palavras. Aprender a dizer não e a conceder um sim. Saber arrancar da boca de outro uma palavra com um simples sorriso.
Uma palavra de carinho ou de alento pode modificar uma vida, tal como uma de raiva ou de mágoa jamais será esquecida, apenas guardada, e estas são aquelas que uma vez ditas não há borracha capaz de as apagar.
Aprendamos que as palavras não são apenas para debitar, elas são uma flor e uma arma, que ora nos animam ora nos ferem como se de facas se tratassem.
Nestes dias assim, assim, ponderemos antes de falar.
Aqueles que nos conhecem, respeitam-nos, sabem que não é preciso desatar a falar para que o dia se torne subitamente radioso ou solarengo.
Tudo tem o seu tempo, a sua hora, o seu espaço. Não somos máquinas, por isso não estamos programados para estar bem ou mal dispostos, com vontade de ouvir ou de falar. De sorrir.
Aprendamos as palavras como elas são: uma mensagem. Evitemo-las quando a nossa sensibilidade assim nos avisar. Ofereçamo-las quando tivermos a certeza de que são importantes para alguém, como uma dádiva.
Mas não abusemos delas… não quando alguém amanhecer num dia assim.
Olhemos nos olhos desse alguém e percebamos que nesse dia agradece um certo silêncio, mas não dispensa uma palavra… porque é o momento certo…

publicado por daplanicie às 12:54

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5 comentários:
De guiga a 5 de Dezembro de 2007 às 16:16
Escreve tão bem que me deixa sem palavras...
:)
Adoro vir até cá "lê-la".
Beijos *.*
De A VER NAVIOS a 5 de Dezembro de 2007 às 20:29
Não quero fazer a apologia daquilo que detesta.
Mas permita-me, abençoada névoa que lhe deu inspiração para tão belo texto.
Se é para continuar, venham mais névoas, nem que tenha de ir a Londres, se ela por aqui rarear.
Parabéns,

J. Lopes
De Migas a 5 de Dezembro de 2007 às 23:07
Tudo tem o seu tempo, a sua hora, o seu espaço... Agora é tempo de te dizer que gostei muito do que li, e que tal como tu detesto a névoa ou o que quer que seja que me limite o horizonte. Sangue alentejano nas veias...
Beijos
De Viriato a 7 de Dezembro de 2007 às 21:13
Mesmo nos dias mais escuros o sol continua a brilhar!
De dolce_vita a 9 de Dezembro de 2007 às 19:38
Amiga,aprendi há muito tempo que cada palavra tem hora certa e o silêncio tem sítio proprio.Revelamo-nos na palavra,encontramo-nos no silêncio.
Temos dias e momentos em que uma palavra faz toda a diferênça.Para quem a recebe e a dá.E a Luz com essa serenidade põe as palavras no lugar certo.
um abraço (daqui a uns dias,vamos poder ter algum descanço.)
Rosa

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