Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

ACEITO!

 Hoje em dia a lei não permite que duas pessoas se casem sem hipótese de desfazerem o casamento. Não é possível, perante a lei, casar para sempre.

É capaz de ser complexo explicar como se chegou a este estado. Mas é bem mais fácil comprovar os efeitos que o divórcio tem tido na nossa sociedade. Nas nossas crianças, nos que cresceram desequilibrados, nas confusões mentais, na perda da segurança. Não é sem enorme prejuízo que se anula a família, a qual, por sua natureza, se fundamenta num laço inquebrável - a única coisa que permite a estabilidade indispensável à constituição de um lar e ao crescimento de novos seres. Um professor espera, mais cedo ou mais tarde, problemas num aluno cujos pais se divorciaram.

Vamos supor que a lei nos autorizava a fazer duas coisas quando estivéssemos para casar. Uma delas seria o contrato que agora existe e pode ser anulado com maior ou menos facilidade. A outra, um pacto inquebrável, que impedisse os que se casam de virem a casar mais tarde com outra pessoa qualquer, a não ser por morte do seu cônjuge.

Vamos, ainda, supor que dois jovens se amavam. Ele pedia-a em casamento e ela, naturalmente, perguntava qual das duas espécies de casamento lhe propunha ele.

Parece-me que se podia gerar uma situação embaraçosa... Que responderia o rapaz à sua bem-amada? Seria capaz de lhe propor o casamento descartável? Isso não seria uma manifestação de que o seu amor não era bem... amor?

Que resposta esperaria cada uma de nós se fossemos a jovem em questão? Não teria estado a sonhar com um amor para toda a vida?

Sucede que o amor do casamento é de tal forma que não admite meias-tintas: se existe é para sempre. Se aquilo que se entrega não é tudo, esse amor não tem a qualidade necessária para se tornar no fundamento de uma família. Não pode ser alicerce nem raiz. Não será fecundo. Dará frutos apodrecidos, como, infelizmente, temos verificado tantas vezes.

O amor não admite o cálculo. Não faz contas. O amor é louco.

"É uma loucura amar, a não ser que se ame com loucura", dizia o velho adágio latino. Mas hoje cometemos a loucura, e a tolice, de amar sem loucura... Fazemos as nossas contas e os nossos cálculos. Avançamos as peças do nosso xadrez, mas com o cuidado de prevermos uma escapatória, para o caso de ser preciso bater em retirada.

Medo de que o casamento não corra bem?... O amor e o medo não podem andar juntos. Quem tem medo não entende nada de amor. Amar é, precisamente, não ter medo. É acreditar que se possui uma força imensa. Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que, por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos gelos, dos salpicos das ondas, das pedras aguçadas. Vai por cima de um mundo muito pequeno, nas asas um fogo, em mãos de fadas. Possui outra dimensão. Parece-lhe que quem não ama é um morto-vivo...

Somos capazes de um amor assim. Somos capazes de jogar a vida inteira no consentimento matrimonial. Somos capazes de incluir todo o nosso ser numa palavra que dizemos. E de tornar de aço essa palavra pelo tempo fora, através de todos as dificuldades.

tags:
publicado por daplanicie às 10:36

link do post | comentar | favorito
|
4 comentários:
De guiga a 8 de Janeiro de 2008 às 18:00
Adorei ler este post! :)
Obrigada!
Beijos *.*
De Nettwerk van Helsing a 9 de Janeiro de 2008 às 00:46
Por isso eu sou um bocadinho adepto do "viverem juntos durante X meses" antes do casório. Se ultrapassarem tudo e se, no final desse tempo, continuarem tão enamorados como dantes, então, siga para bingo. Ou para matrimónio, neste caso.

Cumprimentos.
De Caty a 9 de Janeiro de 2008 às 09:44
Olá amiga!!!
Passa pelo meu cantinho tens lá uma nomeação para ti... sei que ultimamente não tens tido mt tempo, mas está lá na mesma a tua nomeação, porque para mim és 100%!
Não te assustes, acho que ainda não te tinha dito, mas começei um novo blog, não acabei com o outro, mas resolvi renascer de novo!!!
Beijinhos, e um bom dia para ti!

http://always_on_my_mind.blogs.sapo.pt
De Ana a 19 de Janeiro de 2008 às 23:49
Belo texto.
Também sou apreciadora dos textos do escritor Paulo Geraldo.
Beijinhos

Ana

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Emocionalmente Saudável

. Ano Novo, Vida Velha

. Esperar

. Aos meus amigos

. O valioso tempo dos madur...

. Filhos

. Sinto-me...

. Hoje

. Tirar o "S" da CRISE

. Chuva...chuva...chuva

.arquivos

. Janeiro 2014

. Julho 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

.tags

. todas as tags

.links

.on-line

website stats

.Contador

blogs SAPO

.subscrever feeds