Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

É Carnaval, nada faz mal!

E aí está à porta mais um Carnaval. Da minha parte tenho que confessar que cada vez acho menos gracinha a uma época que já foi de saudável divertimento e que, actualmente, serve apenas de pretexto para grupos de jovens andarem pelas ruas a importunarem quem passa com irritantes balõezinhos de água e bisnagas que outrora se enchiam de água e que agora levam dentro líquidos fedorentos e até lixívia ( só porque é bué fixe" andar a estragar a roupa aos outros...).

Tenho saudades das tardes de Carnaval que passávamos na rua a jogar ao Fum-Fum ", que consistia em encher uma bilha de barro, já velha, com cinzas, carvão e farinha. Depois fazia-se uma grande roda de rapazes e raparigas, que atiravam uns aos outros a dita bilha até que um desgraçado tivesse a triste sina de a deixar cair. Aí, íamos todos encher as mãos da "porcaria" que estava dentro da bilha escaqueirada e corríamos atrás do que a tinha partido até o apanharmos e lhe sujarmos a cara toda com aquela mistela.

Era também o tempo dos bailes de Carnaval na Sociedade da minha terra, em que todos tentavam encontrar máscaras que impossibilitassem o reconhecimento por parte dos outros para podermos pregar partidas à vontade.

Ainda recordo um Domingo Gordo em que juntámos um enorme grupo de raparigas e invadimos o jogo de futebol da equipa da terra a jogar uma partida importante, só porque algumas delas namoravam jogadores de futebol. Tudo a gritar e a espernear e nós, feitas tontas, com meias na cara, chapéus e boinas, fatos de macaco e botifarras. andámos por ali a correr até nos apetecer ir embora. Às tantas a galhofa já era mais que muita e os jogadores entraram na brincadeira fingindo que nos queriam apanhar para ver quem éramos...como se eles não soubessem!

Nos principais dias de Carnaval havia grandes desfiles, com carroças decoradas e atrelados puxados por tractores, com grupos de mascarados lá em cima que atiravam papelinhos e serpentinas a que assistia, nas ruas. Tudo muito simples mas muito português, era um Carnaval nosso e de mais ninguém.

Agora, onde quer que se vá, o espectáculo é invariavelmente o mesmo: meninas que julgam estar no Rio de Janeiro, onde as temperaturas são altas, e que se passeiam abanando a "bundinha" (quantas vezes cheia de celulite...) desfilando cheias de plumas e paetês , como se estivéssemos em pleno Brasil. Depois contratam-se uns artistas pseudo-famosos , de preferência brasileiros, que vão com um ar meio enfastiado em cima de um carro alegórico acenando às pessoas que tiveram que pagar para entrar no recinto onde passa o desfile.

Perdoem-me, mas isto para mim já não é Carnaval nem é nada!

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publicado por daplanicie às 09:35

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16 comentários:
De guiga a 1 de Fevereiro de 2008 às 15:34
Somos duas! Também não me identifico com esse Carnaval!
Beijinhos *.*
Vou de férias!
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 11:52
Desejo umas óptimas férias, retemperadoras de energia.
Beijinho e cá te espero na volta. :-)
De A VER NAVIOS a 1 de Fevereiro de 2008 às 16:30
Minha amiga, devo confessar que nunca fui um fâ do carnaval.
Cada vez acho mais que é a altura do ano em que os parvos ainda se armam em mais parvos do que o que são durante o resto do ano. Mas enfim...
As modernices que refere contribuiram para que ainda me alheasse mais deste tipo de "comemorações".
Vale a alegria dos outros.
Bom fim de semana.
J. Lopes
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 11:53
Felizmente é uma época de curta duração... :-)
Cumprimentos
De sAndRa a 1 de Fevereiro de 2008 às 17:27
riu me imenso com o que fazias no carnaval. o meu nao foi bem assim quando era nova. Recordo me de quandoa ndava na escola e brincava mascarada. Depois de crecida nao me mascarei mais, e por norma nao dou muito valor.
Quem dá valor sao os "famosos" que ganham milhares por se mostrarem.
beijus
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 11:54
Pois, sabes, o teu carnaval já era foi diferente porque sou mais velha do que tu :-)
No meu tempo ninguém se mascarava nas escolas porque a escola era uma coisa muito séria.
Beijinhos
De Júlia a 1 de Fevereiro de 2008 às 17:58
Ah! As lembranças que me fizeste ter dos gloriosos bailes da Sociedade! No meu tempo (sou mais antiga que tu) não íamos mascaradas. Vestiamos os melhores vestidos que tinhamos. Ainda estou a ver as pobres das mães sentadas toda a noite à roda da sala, naquelas cadeiras de pau. Nos intervalos das músicas, tocadas por um conjunto, também nos sentavamos. Depois, os rapazes que se concentravam à entrada do salão, logo a seguir ao cimo das escadas, assim que começava a nova peça de música, lançavam-se a convidar as raparigas para dançar. Nos dias de carnaval, o salão ficava apinhado. Nós até gostávamos... Então era rodopiar, como se podia, ao som dos tangos, dos passodobles e outras músicas em moda.
Do que me lembro também é dos assaltos na 5ªs feiras de compadres e de comadres.
No que respeita a violência, não gostava nada das cenas nos intervalos do cinema em que as criaturas que ficavam no balcão se entretinham a aventar saquinhos cheios de grãos e de feijões para as que ficavam na plateia. Às vezes magoava mesmo.
É natural que tudo esteja muito diferente. Até o cinema já não existe mais...
Beijinhos e bom carnaval.
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 12:01
Adorei verdadeiramente o teu comentário! Era mesmo tudo assim como dizes nos bailes da nossa querida sociedade! E lembras-te do espelho gigantesco, estrategicamente colocado do outro lado do salão para que as mães pudessem fiscalizar as filhas mesmo quando passavam do lado oposto? E quando havia meninas que fingiam não ver o convite do rapazinho e ele tinha que atravessar a sala toda para pedir a dança e depois levava uma "tampa" e tinha que voltar de rabinho entre as pernas para o seu lugar, alvo da chacota dos outros todos...
Na memória fica-me a inesquecível frase dita em voz profunda, de verdadeiro artista: "Final de série...podem descansar" .
Quanto às quintas feiras de comadres e compadres, sempre as festejámos, tudo ali cumprido a preceito como no tempo das nossas mães. Até havia sempre a bandeira com as urtigas e "penico" pendurados com que íamos passar em frente ao sítio da festa dos compadres!!

Beijinhos
De TiBéu ( Isa) a 1 de Fevereiro de 2008 às 20:22
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 12:03
Muito obrigada amiga. Beijinho grande
De Caty a 1 de Fevereiro de 2008 às 23:18
Olá!!! :)
Pois é as nossas tradições desaparecem, para abrirmos a porta a tradições que não são nossas...
Era uma miuda, mas tenho saudades de quando o meu irmão me levava ao "baile da pilha", que se fazia na altura do Carnaval!
Beijinhos, e bom fim-de-semana!
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 12:04
Na minha zona chamava-se baile da pinha e era um momento alto da nossa "agenda social". Todas desejavam secretamente ser a rainha do ano seguinte mesmo que isso deixasse as mães aflitas com o dinheirão que teriam que gastar na fatiota... Beijinhos
De mímica a 3 de Fevereiro de 2008 às 21:33
Concordo plenamente. Odeio quando rebentam balões de água na cabeça e rebentam bombas. Que piada é que isso tem? Só faz barulho... Na minha terra faz-se uma batalha de água onde se atiram balões de água, baldes com água, mangueiras e bisnagas a atirar água às pessoas que passam na rua e às que estão a participar. Lembro-me que o meu pai me contou que uma vez estava a passar na rua e houve um grupo de ADULTOS (não, não era criancinhas nem adolescentes, eram mesmo adultos...) que foram atrás dele com um balde de água. Mesmo decadente, mas enfim... e uma vez uns miúdos andavam a bater nos carros com paus. Enfim, uma estupidez...
Lembro-me em pequena de ir para um baile de máscaras e de ir no desfile organizado pelas escolas e íamos pelas ruas; mas cresci e o Carnaval deixou de fazer sentido para mim.
P.S. Concordo com o que disse em relação ao Carnaval de agora querer imitar o brasileiro. Eu cá não acho piada nenhuma. Acho as sátiras muito mais engraçadas, mas até isso está a desaparecer e muito poucas localidades fazem iisto.
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 12:11
O que nos vale é que é uma época relativamente curta e já acabou! Obrigada pela visita e pelo comentário.
De Mamã Gansa a 6 de Fevereiro de 2008 às 14:30
Gostei muito de ler as tuas recordações decarnaval.A minha mãe não gostava de carnaval e não me deixava brincar ao carnaval. Eu gosto do lado fantasioso do carnaval.Pego na minha filha máscaro-a, a ela e eu também me mascarao e vamos as duas passear.

beijinhos
De daplanicie a 7 de Fevereiro de 2008 às 12:12
Eu também tive que me mascarar no desfile da escola, como aliás faço quase todos os anos, mas é mesmo porque os miúdos pedem porque eu não acho gracinha nenhuma. :-)
Beijinhos e obrigada pela visita e comentário

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