Sábado, 5 de Abril de 2008

A História na perspectiva dos jovens


Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo.
 Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.
 Pouco tempo depois o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor.
 Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos.
De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda,Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau.
 Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer Quibir para uma cena de estalo.
Felizmente tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.

Com conventos a mais e dinheiro a menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro em que muita coisa se partiu mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas.
 Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.
A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço.
O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães.
Ao intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma mulher vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos.
Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Comunistas dum camandro!
Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr uma chaimite e um molho de cravos em cima do assunto.
 Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.

E o Cavaco?
O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo...

P.S. - Recebido por mail


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publicado por daplanicie às 10:16

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5 comentários:
De Em Fá Sustenido a 5 de Abril de 2008 às 13:55
Tenho que dizer que é a primeira vez que passo por este blog , mas é fantástico .. Adorei todos os textos que li , mas o que mais me fez rir foi mesmo o do seu filho a dizer que os mais velhos iam rebentar os pneus do autocarro .. Fantástico como as crianças arranjam sempre forma de tentar agarrar o momento mais um bocadinho não é ?

Bem vou passando com certeza por aqui mais vezes e vou já adicioná-la para não perder o rasto ^^
Beijinho*
De daplanicie a 7 de Abril de 2008 às 12:34
Muito obrigada pelas suas palavras tão elogiosas! Fiquei muito feliz com tudo o que disse e espero continuar a contar com as suas visitas e comentários. Obrigada por me adicionar como amiga.
Beijinho
De A VER NAVIOS a 5 de Abril de 2008 às 15:42
Há uns anos, li um livro que se chamava "história Concisa de Portugal" (se não estou enganado), essa era substancialmente maior que aquela que li no seu blogue.
Os meus parabéns. Se eu fosse como o outro, diria "Porreiro, pá!"
Mas lá que está uma maravilha... isso, sem dúvida.
Bom fim de semana.
J.Lopes
De paisagemviva2 a 7 de Abril de 2008 às 15:30
Realmente temos jovens muito criativos, desconhecia essa versão, mas será que colocando a história nesta versão "a malta" não iria assimilar com mais facilidade?
Da forma como está difícil ensinar nos dias de hoje há que tentar alternativas funcionais para fazer os jovens aprender, não achas?
Um beijinho
Paisagemviva
De Pérola a 7 de Abril de 2008 às 18:29

Como diria o autor desta resumida história de Portugal: parti o côco a rir...
Bjs

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