Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Sobreviventes

A reportagem da SIC, "Dentro da Casa Pia", apresentada no Domingo a seguir ao Jornal da noite, onde mostravam a vivência das crianças dentro da instituição seis anos após o escândalo tocou-me profundamente. O mesmo aconteceu com a reportagem de ontem da TVI, "Sobreviventes", que mostrava a vida de algumas das mais de doze mil crianças institucionalizadas no nosso país das quais apenas 1400 estão para adopção. E as restantes, as que não têm esperança de um dia ter um lar condigno onde possam ser amadas e protegidas?

As outras são filhas de ninguém. Limitam-se a crescer nas instituições como o jovem Artur, caso abordado em mais pormenor, que foi retirado à família biológica com 4 anos.

Aos 6 anos, o seu caso chocou o país com a morte da sua irmã às mãos duma família de acolhimento da Segurança Social, tendo esta criança assistido a tudo.

Hoje aos 22 anos e depois de ter passado mais de metade da sua vida à responsabilidade do estado continua a ser um sobrevivente. Dizia ele que como não tinha aquilo que é um direito para a maioria das pessoas, uma família, construíu ele a sua própria família pois já tem um filho de seis meses. Não se lhe adivinha vida fácil pois nem sequer emprego tem.

Ambas as reportagens abordavam o caso das crianças que vivem à guarda do estado e ambas me deixaram uma sensação de tristeza, de vontade de fazer algo que nem sei bem o que poderá ser. Já por várias vezes pensei em fazer voluntariado numa das instituições da cidade mas, conhecendo-me como conheço, sei como seria difícil não me apegar às crianças o que resultaria, inevitavelmente, em enorme mágoa por não poder resolver todos os seus problemas. Para além disso a vida atarefada também não mo permitiria de forma satisfatória.

É tão triste sabermos que há milhares de crianças que não têm nem sequer um gesto de afecto, uma palavra de amor, uma ocasião em que se sintam realmente especiais! Não entendo como é possível que haja pessoas que, apesar de terem consciência de que não têm condições para criar um filho, continuem a tê-los para serem mais uns infelizes rodeados de estranhos numa qualquer instituição.

publicado por daplanicie às 09:11

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7 comentários:
De Zita a 16 de Abril de 2008 às 14:48
Por falta de tempo não vi ambas as reportagens. Porém consigo imaginar a dor que muitas dessas crianças sentem. Nós adultos, temos tantos momentos de fraqueza, em que precisamos de "ombros amigos" e no entanto temos uma vida "fora" de uma instituiçao, temos familia seja ela boa ou má, de uma forma ou outra alguém disponivel para nos ajudar.
Por outro lado devemos tentar pensar em alguns casos positivos que surgiram dessas instituições. Muitos jovens conseguem ultrapassar todas essas barreiras sabe-se lá com que coragem, tornando-se pessoas de sucesso, lutadores natos.
É dificil mas estes alertas que vao surgindo por parte das televisões, são incentivos à nosa atenção e à forma de estar perante a sociedade e governo.
De daplanicie a 16 de Abril de 2008 às 14:55
Tem toda a razão mas detesto a sensação de impotência perante uma situação que me causa tanta angústia. "Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim"...
Obrigada pela visita. Cumprimentos
De Pérola a 16 de Abril de 2008 às 14:59
Tenho mais um prémio para ti no meu blog... É apenas um mimo...
Beijinhos
De guiga a 16 de Abril de 2008 às 15:22
Também fiquei muito triste e muito chocada com esta reportagem. Não fazia ideia - Santa ignorância minha!! - de que as instituições se servem destas crianças para ganhar dinheiro com os fundos que lhes são atribuídos. Se olharmos as coisas deste prisma, então para quê acelerar os processos de adopção quando elas dão lucro às instituições?!?!! Este mundo choca-me e mete-me nojo!

Beijos *.*
De sandra a 16 de Abril de 2008 às 19:23
Entendo te bem. Vi a repostagem e senti me impotente perante aquelas crianças. Devem sentir se tao sozinhas, tao frageis.Ja pensei imensas vezes em fazer voluntariado. So que aconselharam me que se quizesse fazer teria que ter a certeza se seria por longo tempo, porque as crianças apegam se (e nos tambem) e depois seria doloroso para elas o meu afastamento. Por isso ainda nao tomei a decisao, elas ja sofreram afastamentos demais. beijinhos
De São a 17 de Abril de 2008 às 13:55
As pessoas quando têm os filhos muitas vezes não sabem das desgraças que vêm podem vir a afectar as suas vidas, como o desemprego, a doença. Mas eu acredito que muitos dos pais que amam os filhos e os deixam ir para instituições é porque pensam que além de ser temporário, eles estarão melhor, terão comida melhor, água quente, enfim, condições... Muitos saõ iludidos por assistentes sociais e técnicas de serviço social que andam precisamente à mama de pôr crianças a render, porque essas instituições recebem dinheiro do Estado. E convencem-se de que os filhos vão estar bem tratados, com a barriguinha cheia... Se soubessem das condiões de certas instiuições (aquela ex-voluntária chamava-lhes "depósitos de crianças") se calhar não deixavam os filhos ir. Porque a não ser por provados maus tratos,não se tira facilmente uma criança à família só por pobreza. Já ouviu falar de crianças ciganas instiucionalizadas? Não. E elas vivem com dificuldades...

Como dizia aquela jovem que foi mãe adolescente, agora om 22 anos, achavam que ela não tinha condições pra criar o filho, só que não se escolhe a família onde se nasce, se ela ama o filho, é o filho dela e pronto...
De Júlia a 17 de Abril de 2008 às 18:22
Só vi a reportagem da SIC sobre a Casa Pia. Fiquei muito agradavelmente surpreendida com a "revolução" que tem vindo a ser feita nesta instituição. Ainda bem para a sua imagem e para as crianças que dela beneficiam.
Bj

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