Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Dados alarmantes de Violência Doméstica

Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto mas os números que fizeram hoje primeira página de alguns jornais deixaram-me bastante chocada. Segundo dados da União de Mulheres Alternativa e Resposta UMAR ), uma organização não-governamental, só nos primeiros três meses deste ano já pereceram 17 mulheres, vítimas de violência doméstica o que é sinónimo de dizer que foram mortas às mãos dos maridos, ex-maridos, namorados e ex-namorados. Duas destas vítimas foram assassinadas pelos próprios filhos. Outras 11 tiveram mais sorte e conseguiram sobreviver a tentativas de homicídio.

Penso que são dados alarmantes para um país do tamanho de uma casca de noz como é o nosso, ainda mais se tivermos em conta que durante todo o ano de 2007, as vítimas foram 21. Portanto, em três meses contabilizaram-se quase tantas vítimas como em todo o ano passado.

A vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouco auto estima e  encontra-se atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material. O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do acto agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repeti-lo.

Em algumas situações, felizmente não a maioria, de franca violência doméstica persistem cronicamente porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, seja por razões materiais, seja por razões emocionais emocionais.

Antigamente nada podia ser feito sem uma queixa da vítima nas autoridades, o que muitas vezes não acontecia por medo de represálias mas actualmente, com a mudança de lei, este é considerado um crime público pelo que qualquer pessoa pode, se for testemunha ou souber de algum caso destes, fazer uma denúncia na PSP ou na GNR, que serão obrigadas a abrir uma investigação sobre o assunto.

Se algum de nós puder fazer alguma coisa para fazer um agressor ser castigado, julgo ser nosso dever cívico fazê-lo. É que o tempo em que o ditado "Entre marido e mulher ninguém meta a colher" estava na moda já passou há muito tempo e pode ser que com uma atitude corajosa de denúncia estejamos a salvar uma vida.

publicado por daplanicie às 16:59

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5 comentários:
De letras a 6 de Maio de 2008 às 22:52
É de facto chocante. Hoje quando li as notícias fiquei em transe: não tinha mesmo noção de que eram números tão alarmantes.
Antigamente,quando uma mulher nao podia separar-se do marido devido a maus tratos, porque isso era sinal de abandono, de achincalhar pela sociedade, de [praticamente] morte anunciada, eu ainda percebo que uma mulher aguentasse. Mas agora?E quando as pessoas sabem e nao denunciam.
Nananananão. Eu sigo aquela regra: quando um homem te levanta a voz, a próxima coisa que levanta é a mão.Sou a primeira a avisar e serei a primeira a denunciar se algum dia vir algo do género...é realmente miserável o que ainda acontece :(
De daplanicie a 7 de Maio de 2008 às 13:02
E se todas pensassem assim os números seria certamente diferentes.
Beijinhos
De paisagemviva2 a 7 de Maio de 2008 às 14:32
Olá, eu sinto-me revoltada por ver que nos dias que correm ainda existe esse problema na nossa sociedade. Mas o mais grave nisso tudo é que quando tentamos ajudar a vítima não reconhece necessitar de ajuda e é extremamente difícil fazê-la ver que está em perigo e que a situação não é normal.
Enfim vamos fazendo o que se pode e tentando evitar o mais grave.
Bjs
Paisagemviva
De ELENA a 28 de Junho de 2008 às 03:24
Me chamo Lena sou vitima de violencia domestica,ja o denuciei meu ex companheiro por agreçao fisica e maus tratos e tentativa de omecidio,e nada ate agora o fizeram por mim ,tambem fui atropelado pelo mesmo que tenho uma filha de quatro anos,estou em tratamento ,porque ficou varias cequelas em mim ,e continuo recebendo ameaças,ja nao sei o que fazer mas da minha vida.estou so aqui nao tenho famila a unica e minha filha de quatro anos alquem pode fazer alguma coisa por mim ?
De guiga a 7 de Maio de 2008 às 15:53
Sim, é realmente problemático e chocantes estes números. Mas sei, por conhecimento de causa, porque convivo com pessoas ligadas a instituições que recebem mulheres vítimas de maus-tratos que, a maioria delas, muitas vezes foge para voltar para a pessoa que tanto mal lhe fez! E aí, o que podemos nós fazer?
*.*

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