Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Beja em foco

Beja está em polvorosa! Até já aparece na televisão e, como é óbvio, quando isso acontece raramente é pelos melhores motivos. Os casos envolvendo alunos e docentes parecem estar na ordem do dia e é sempre por coisas que não lembram ao diabo mais velho.

Desta vez deve-se o alvoroço a duas professoras das AECs (Actividades Extra-Curriculares) que leccionam Inglês em duas escolas de Primeiro Ciclo da cidade. Uma delas, segundo dizem, ia dar as aulas acompanhada pelo marido ou pelos pais pois não conseguia disciplinar a criançada. É triste quando uma pessoa que deseja fazer do ensino a sua profissão se vê numa situação destas!

Acredito que a situação seja insustentável e como tal acho correcto o afastamento da docente em causa, mesmo para o seu próprio bem. Mas posso falar com conhecimento de causa do que se passa naquela escola pois já pertenci ao Agrupamento que a integra e, estando presente alguns anos no Conselho Pedagógico, onde esses assuntos são debatidos, sei bem o género de crianças que a frequentam. Desde agressões violentíssimas entre colegas a indisciplina pura e dura dentro das salas de aula (até armários eram deitados ao chão!) de tudo ali se passava. A escola encontra-se inserida num bairro problemático da cidade onde pouco se pode contar com os pais para desempenharem o seu papel como seria normal.

Parecia-me justo que fossem abordados os dois lados da questão e não transformar a pobre professora no alvo de chacota de uma cidade inteira. Depois, em relação ao outro caso, fala-se de métodos disciplinadores pouco adequados que incluíam escrever dezenas de vezes a mesma palavra no quadro, pôr os alunos a fazer flexões e escreverem sentados no chão.

É claro que não defendo tais métodos, mas consigo entender perfeitamente o estado de espírito de uma professora que, não conseguindo fazer-se respeitar nem desempenhar a sua tarefa, dia após dia, aula após aula sendo desautorizada e quem sabe até gozada, perde um bocado a perspectiva do que deve ou não fazer e acaba por adoptar métodos que nunca seriam necessários se o papel de educadores dos pais fosse correctamente desempenhado pelos mesmos e se as crianças chegassem às escolas sabendo que o professor é uma pessoa para ser respeitada, tal como o pai ou a mãe.

Ninguém imagina o que se passa nas escolas a não ser quem lá passa os dias e podem ter a certeza que, actualmente, ou os professores são realmente "tesos" ou quando dão por isso já têm um par de estalos (ou coisa pior) em cima!

 

publicado por daplanicie às 17:12

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10 comentários:
De Pérola a 16 de Maio de 2008 às 17:51
Concordo e sublinho cada palavra tua! Infelizmente há ainda pais que acham que os filhos têm que ser educados nas escolas e não em casa, o que está bastante errado.... De casa tem que partir uma educação base, caso contrário dão-se situações como a descrita (e até piores). Mas, é típico, se a professsora toma medidas extremas, todos lhe caem em cima. E, sinceramente, vai chegar a uma altura em que vai ser necessario que os alunos levem umas boas palmadas para aprenderem. Eu não sou a favor disto, mas tb não concordo com a falta de respeito e a má educação! E há casos que uns bons tabefes são o melhor remédio.
Beijinhos
P.S. É duro ser-se professor, não? Ufa...
De daplanicie a 19 de Maio de 2008 às 19:03
Cada vez é mais duro, infelizmente! Tenho esperanças de que um dia ainda mude...mas não para pior.
Beijinho
De Júlia a 16 de Maio de 2008 às 18:05
Amiga, a minha opinião é que os professores continuam a enfrentar situações difíceis completamente desacompanhados. A ideia do professor no seu espaço restrito da sala de aula, onde mais ninguém pode entrar, torna-o num ser completamente solitário. Se, numa situação "normal", essa soldão pode não ser problemática, já tudo muda completamente de figura quando tem de enfrentar turmas "difíceis".
O problema é que as condições mudam, mas a organização das escolas permanece imutável. Era de supor que, com os agrupamentos, novas formas organizativas fossem adoptadas. Que se introduzissem nas escolas modos mais colaborativos de actuação que permitissem dar respostas inovadoras aos novos problemas que a sociedade vai carreando para as instituições educativas.
Mas (por culpas que me parecem muito repartidas entre os organismos centrais e locais), os órgãos de gestão e direcção das escolas não são capazes de ultrapassar uma visão meramente burocrática da sua missão.
É sabido que, em muitos casos, resolver problemas como os que referes, exige a intervenção de equipas multidisciplnares que não existem na maioria das escolas. E exige uma formação que permita aos professores desenvolver estratégias para lidar com situações difíceis e capacidade para resolver problemas.
Como espectadora do que se vai passando no sistema educativo, parece-me que os organismos centrais poderão ter sucesso em termos de redução dos gastos. Mas os custos sociais da falta de sensibilidade para as questões pedagógicas vai sair muito caro a este país.
Bom fim de semana.
Bjs
De daplanicie a 19 de Maio de 2008 às 19:07
Acredita que também aguardo com ansiedade o momento de assistir a tudo isto apenas como espectadora e não como actriz. A escola já não é o que era e, neste momento, é um espaço que não me cativa...infelizmente.
Beijinho e boa semana
De Straycat a 17 de Maio de 2008 às 01:27
É mesmo triste aconteçam situações como a dessa professora.
O facto é que para chegar "às escolas sabendo que o professor é uma pessoa para ser respeitada, tal como o pai ou a mãe" era preciso que respeitassem o pai ou a mãe, coisa que provavelmente também não fazem.
Bom fim-de-semana e um abraço.
De daplanicie a 19 de Maio de 2008 às 19:17
Nem imaginas como estás certa naquilo que dizes! Nem imaginas as cenas a que assistimos quando as mamãs vão levar e buscar os meninos à escola...é de deixar qualquer um estupefacto!!
Beijinho
De Straycat a 20 de Maio de 2008 às 17:29
O meu puto até é calminho e respeitador. Nas aulas é um dos que dá menos problemas. Os profs queixam-se que o que os outros falam demais, ele fala "de menos", porque é tímido e pouco participativo.
Nunca me deu grandes problemas, mas gostava de conseguir que ele estudasse mais e se deitasse mais cedo. Tenho que trabalhar mais nisso.
Um abraço de mãe preocupada...
De daplanicie a 20 de Maio de 2008 às 20:47
Esse é um mal geral, também me queixo do mesmo.
Beijinho e não te preocupes porque faz rugas
De Just Moments a 17 de Maio de 2008 às 01:40
Image

Flower Glitter



um miminho e um beijinho!!

De daplanicie a 19 de Maio de 2008 às 19:17
Obrigada pelo miminho e pelo beijinho.
Boa semana para ti

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