Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Uma história de Natal

A Batalha de Natal
 
 
- Só mais seis dias - disse Neli.
Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre:
- Ainda seis dias.
Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando:
- Se tudo já tivesse passado!
Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto:
- Não estás contente?
- Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda!
Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela.
- Que bem fazes isso - dissera-lhe Neli uma vez. - Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal.
- Ora - dissera a mãe a rir. - É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente.
- Como um robô! - Neli riu-se.
E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada!
Só mais quatro dias.
Só mais três.
As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro.
Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial.
Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80-/kg.
Os altifalantes debitavam música de Natal:
Noite feliz-
Cabeça de anho
Noite feliz-
Descafeinado
Papel higiénico de três folhas
O Senhor-
Lenços com monograma
Mostarda
Nasceu em Belém-
A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio.
Ufa!
Só mais três dias, e acabaria tudo.
- Vou fazer um jantar como o do ano passado - disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. - Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras.
No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal.
Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados.
- A batalha de Natal foi mais uma vez vencida - alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas.
Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um.
Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro.
- As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!- pensou assustada.
Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias.
Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs.
- Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado - disse o pai. - Comidas pesadas não me caem bem.
Também não havia muito que desembrulhar.
Por isso, sobrou tempo. Muito tempo.
Neli foi buscar o jogo Memory, que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela.
Agora, os pais tinham tempo.
O pai nunca tinha jogado Memory. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado.
Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto.
À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar.
- A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus - disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal.
Ao ir para a cama, Neli disse:
- Este foi um Natal muito bonito.
- A sério? - perguntou a mãe, admirada. - Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas.
- Mas houve muito tempo! - respondeu Neli.
 
Jutta Modler
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987
(Tradução e adaptação)
publicado por daplanicie às 14:56

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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Onde andas, espírito de Natal?

Sempre adorei o Natal! Começava muito cedo a elaborar a lista dos presentes que teria que comprar, a ementa dos bolos, doces e outras iguarias a confeccionar, a decorar a casa toda de acordo com o espírito natalício...enfim, uma azáfama que me enchia de felicidade!

Há uns anitos, poucos, comecei a notar que o meu entusiasmo decrescera. A decoração era feita cada vez mais tarde, as prendas adiadas um e outro dia e um certo desejo de que as festas passassem o mais depressa possível, como se de uma visita ao dentista se tratasse.

Este ano, pelas mais diversas razões, o ânimo ainda é menor e, se a fadinha dos desejos me aparecesse à frente, certamente que um dos meus desejos seria adormecer aí por volta do dia 20 de Dezembro e só acordar em 2010. É a mais pura e deprimente das verdades!

As pessoas em redor da mesa têm diminuído ano após ano, e a sua falta faz-se ainda sentir mais nesta época dedicada à família. Crianças pequenas, que tanto animam o Natal, já não há. E então, no meio de um turbilhão de pensamentos melancólicos, vêm-me à ideia outros Natais. Natais da minha infância em que o dinheiro não abundava mas a felicidade...essa, era pura e genuína. Recordo as minhas avós, amassando as azevias (pastéis de grão) pelo serão fora, enquanto o resto da família se reunia em volta da grande lareira, contando histórias e anedotas.

A impaciência para nos deitarmos era exclusiva dessa noite, uma vez que sabíamos bem que o Menino Jesus só apareceria para colocar os nossos presentes, no sapatinho que deixávamos na chaminé, depois de as crianças se deitarem pois, vá-se lá saber porquê, não queria ser visto por nenhuma. Apenas os adultos o podiam ver, como se gabavam na manhã seguinte, enquanto nós desembrulhávamos o que nos tinha calhado em sorte, numa excitação sem igual.

Nesse tempo, ninguém ouvira ainda falar do Pai Natal. O tempo era do Menino... Que saudades, meu Deus, desses e outros Natais!

publicado por daplanicie às 12:45

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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Noite de Natal

Existem alguns momentos em que todos os anjos descem do Céu e vêm festejar na Terra. Os anjos cantam e dançam uma música que só pode ser ouvida pelo nosso coração. Há uma grande confraternização entre eles e isto acontece sempre no Natal.

Se, na noite de Natal, uma lágrima de emoção insistir em rolar pela sua face, nesse momento o seu coração estará sendo invadido por estes anjos e a sua pulsação entrará no ritmo daquela melodia. Saiba que, nessa hora, o amor de Deus se fará presente na sua alma e que tudo que desejar e merecer será realizado.

Que a paz, o amor e a luz de Deus iluminem todas as famílias.

 

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publicado por daplanicie às 09:55

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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Criança Divina

 

Que essa Santa Criança esteja sempre nos nossos lares e nos nossos caminhos,
e que Ela nos guie sempre e segure sempre nas nossas mãos guiando-nos para o caminho certo.
Hoje a noite está em festa ...
As estrelas brilham mais.
A harmonia dança com a felicidade ..
A paz desta noite invade todos os lares...
E o AMOR ...
Ah! Esse Infinito AMOR transborda em todos os corações!!! Que essa CRIANÇA DIVINA ilumine sempre os nossos passos,
ilumine sempre a nossa vida,
ilumine sempre esta noite de Natal.
FELIZ NATAL!!!

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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Visão

 


Começa teu dia com a visão dos pássaros,
com o silêncio das flores do teu jardim.
Começa teu dia com o frescor da água doce do rio, que passa por suas margens segura de seus movimentos.
Começa teu dia com a força dos ventos, trançando seus cabelos na liberdade que brota do teu ser, abrindo os braços para aquilo que desejas viver, amar, conhecer...
Começa teu dia com a inocência das chuvas, aquecendo teu espírito com o amor que pulsa
silencioso e alegre em teu ser.
Tudo é uma questão de como vês o dia que se inicia para ti.
Usa da tua visão interior e aprende que tu és o que sentes.
Procura neste dia não esquecer da luz que brilha em tua face, sempre que decides estar disponível a ela.

Autor desconhecido

 

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

É quase Natal!

 

Pronto, finalmente o espírito de Natal começou a entrar em mim! Confesso que este ano, com a sobrecarga de tarefas e a falta de tempo, ainda nem sequer tinha pensado bem na quadra que se avizinha a passos largos.

Mas, aproveitando o fim de semana prolongado, já decorei a casa a preceito, a árvore de Natal também já está montada, no seu canto habitual, brilhando, e a lista já está feita. Sim, porque todos os anos faço uma lista com todas as pessoas que quero presentear, para não esquecer ninguém. É que a cabeça já não é o que era e não quero ter que andar pelas lojas nos 2 ou 3 dias antes do Natal, quando já está tudo mais que escolhido e há filas até à porta.

Agora já só falta ter tempo (e paciência...) para sair para o frio e chuva e começar a comprar tudo o que imaginei! As prendas não são o mais importante mas também fazem parte do ritual e eu adoro oferecer presentes. Não precisa ser nada muito sofisticado ou caro, mesmo coisas simples servem para mostrar às pessoas como as amamos. É tão lindo o Natal!!

 

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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Anúncios natalícios

Já começou o tormento! Refiro-me, neste caso, à publicidade natalícia com que somos bombardeados num apelo constante e insistente ao consumismo!

Pois é, mais uma volta em redor do Sol está quase concluída e olha, já não tarda muito a chegar outro Natal. E é completamente enlouquecidas, que a maioria das famílias portuguesas se atira de cabeça nas suas compras, onde gastam invariavelmente mais do que podem, para terem mais do que precisam, em nome de uma tradição que cada vez mais perde o significado que deveria ter.

Para mim, a palavra Natal sempre trouxe à mente a azáfama da cozinha, com a família reunida em alegria e paz, à espera da ceia tardia, enquanto se vai jogando às cartas, ao Monopólio ou simplesmente conversando. Conversas recheadas de risos e da boa disposição que sentimos quando estamos em paz connosco e com o mundo inteiro, apenas porque estamos rodeados das pessoas que mais amamos na vida.

Por isso me custa que quando se ouve a expressão "Natal é quando um homem quiser", haja sempre alguém que responde  "Isso não, que a carteira não aguentava!". Parece que há pessoas que apenas vêem o lado materialista duma época tão especial. Esquecem-se que o Natal não são as prendas. O que faz o Natal somos nós, junto da nossa família.

Por isso, para estar de acordo com o espírito dos tais anúncios, também eu venho apelar ao consumismo natalício...Consumam Amor, calor familiar, alegria, paz e também a boa comida e doces que esta época tem para oferecer! E deixem o dinheiro na carteira que se avizinham tempo difíceis...

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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

Feliz Natal!!

 

As Sementes da Vida

 

As sementes da vida precisam ser
semeadas com paz e amor, e assim,
poder gerar o alimento que
precisamos para viver.
Viver com alegria, coragem e
determinação de seguir adiante.
Viver o presente com sabedoria
e plenitude para que o ontem
seja um sonho de felicidade e
cada amanhã uma visão de esperança.

 

 

 

Desejo a todos os amigos um Santo e feliz Natal.

Que a paz do Senhor se instale nas vossas casas e vos permita viver esta época com espírito de paz, amor e harmonia!

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Domingo, 23 de Dezembro de 2007

Azáfama...

Meu Deus isto nunca mais acaba! Estou exausta e quendo penso que não aguento mais, ainda parece isto ou aquilo que me tinha esquecido de fazer ou de comprar.

Todos os anos juro a mim mesma que no ano seguinte tudo será comprado com muito tempo de antecedência, para não me ver metida em filas e confusões mas...tudo acontece sempre da mesma maneira. É inevitável como o destino!!

E assim, lá continuo eu, nesta correria... Ontem foi dia de ir ao hipermercado. E as filas pareciam infinitas e mais uma vez, toca de voltar a encher os bolsos ao Tio Belmiro! Não sei como é isto mas é sempre ele  que ganha mais no Natal!

É que pode não haver muito dinheiro para prendas, mas para as comidinhas de Natal ainda vai havendo! Ele foi bacalhau, vinho, fios de ovos, montes de ovos, farinha, açúcar, carne para assar, ... enfim.

E depois, a parte pior... toca de arrumar tudo. Ufff, o que vale é que já falta pouco para a grande Noite!

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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Dezembro

Quando chega Dezembro há mais calor,
embora seja Inverno, haja geada!
Em cada coração há mais amor,
E a vida fica mais iluminada…

Um verde pinheirinho ganha cor.
Se enfeita aqui, ali, cada ramada.
Tudo ganha mais brilho, mais fulgor,
A casa fica mais iluminada.

E sendo um mês tão frio, enregelado,
Onde a neve impõe o seu reinado,
por que será Dezembro especial?

Apenas porque assim o quis Jesus,
Ser o mês que Maria o deu à luz,
E ser o Santo dia de Natal!

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