Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Caso Freeport

 

 

 

 

Tenho assistido com perplexidade a todas as notícias e entrevistas que têm tido como alvo o caso Freeport e o nosso Primeiro Ministro. Muita tinta e palavras já correram sobre este assunto e, aposto, ainda muito está para se saber. Ou talvez não...basta lembrarmo-nos do caso Casa Pia em que tudo ficou como estava e quem pagou foram apenas os mais desgraçados, porque os Senhores saíram airosamente da situação, quase como vítimas.

 

Em relação ao caso que envolve Sócrates, o caso é um pouco mais delicado. É óbvio que ninguém pode ser prejudicado nos seus direitos por exercer um cargo público. Quem exerce funções públicas tem que ter os mesmos direitos de todas as outras pessoas, embora tenha mais deveres. Acontece que José Sócrates é suspeito no caso Freeport e mantendo-se no exercício das altas funções de chefe do governo, fragiliza-se a si próprio, ao PS, e, o que é pior, empobrece a democracia.
É claro que de José Sócrates se presume a inocência, até que se prove o contrário através da Justiça. Isso é absolutamente indiscutível. Não quero o primeiro ministro condenado sem prova de culpa, mas também me parece ter o direito de não o querer eleito sem prova de que está inocente.
Independentemente das conclusões a que a Justiça um dia chegará (e para bem de todos era bom que chegasse depressa), cada um faz o seu próprio juízo por aquilo que vai conhecendo. Há uns que suspeitam do primeiro ministro e outros que não. E na apreciação que cada um faz, certamente tem em conta situações antecedentes.
Eu, como cidadã, tenho o direito de suspeitar de José Sócrates. Por um lado porque não fiquei muito convencido com as explicações dadas, quer sobre a sua licenciatura, quer sobre os projectos de engenharia que outros fizeram e ele terá assinado. Por outro lado, porque tendo ele assumido vários compromissos com os eleitores que não respeitou (não aumento dos impostos ou a equiparação das pensões dos idosos ao vencimento mínimo nacional, por exemplo), deu provas de não merecer a minha confiança.
Entendo que quem governa um país e tem a ambição de continuar deve provar que é digno de merecer essa confiança. Para que a exigência dessa confiança tenha fundamento não pode passar o tempo a vitimizar-se e deve construir um passado de grande respeitabilidade que não se compadece com as desculpas da “cabala” ou da “campanha negra”.
O caso Freeport é não apenas “jurídico” mas também “político”. E são sobretudo as consequências políticas que o primeiro ministro deveria saber desde já retirar. Recordemo-nos que por muito menos se demitiram António Vitorino e Jorge Coelho. E é também com atitudes como as que então tomaram que a Democracia se enobrece.

 

 

 

publicado por daplanicie às 18:30

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Sábado, 14 de Março de 2009

Virose

Os números não mentem. 200 000 nas ruas. Com o desemprego a alastrar e as condições de vida cada vez mais degradadas, o descontentamento ganha forma na multidão triste que desfilou pelas avenidas de Lisboa.

Não sei explicar bem, acho que o nosso país está a ser atacado por um vírus. Mas parece um vírus programado para atacar apenas os mais fracos. E, apesar do que possa dizer-se neste momento, todas as classes profissionais média e média baixa são as mais fragilizadas, porque as outras, para ainda mais baixo, o foram sempre e, segundo todas as previsões, sempre o serão.
Enquanto o nosso "propagandista" se entretém em terras africanas a distribuir Magalhães, enquanto a ministra da educação age deseducando, enquanto o ministro das Finanças se entretém a fechar as portas às reformas de professores doentes, enquanto na Justiça se libertam os meliantes de cartola alta, a virose mantém-se, nada havendo que a possa debelar.
Alguns milhares de portugueses fogem do país não sendo bem acolhidos noutros, também em crise de vírus imaginários e difíceis de tratar, por cá aceita-se toda a espécie de gente, que aumenta a população dependente. É uma verdadeira alegria na tristeza da "canção nacional".
O sector social perde a sensibilidade e perde o socialismo, que se perde também pelas ruas e lares. Aumenta a tristeza dum povo taciturno e cada vez mais sombrio. Perde-se a elegância até na maneira de lhe mentir, coisa que fazem com a maior desfaçatez.
Que fazer em semelhante encruzilhada? Só nas ruas se pode vencer o desprezo e desilusão em Abril vencidas, mas logo derrotadas de novo.
No meio disto tudo, e muito mais, nem o Magalhães se salva, embora tenha sido apresentado  como um verdadeiro arauto do regresso dum Sebastião bem morto.

publicado por daplanicie às 13:14

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