Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

Mulheres plastificadas

Estava agora mesmo a fazer um zapping televisivo sem me deter em nenhum dos quase 100 canais que temos à disposição e aproveitando o dolce fare niente do primeiro dia de férias quando comecei a aperceber-me de que há algo em comum entre canais tão diferentes como os espanhóis , alemães, americanos, ingleses, etc. À partida não deveria haver nada em comum pois cada país tem as sua diversidades cultural e a sua maneira própria de fazer televisão mas há realmente uma coisa em que são iguais: todas usam pessoas sorridentes, bonitas e bem-humoradas que exibem os seus atributos físicos, quanto mais melhor. As mulheres, invariavelmente, exibem os seus corpos perfeitos e sensuais enquanto os homens são chamados a exibirem poder e dinheiro ao mesmo tempo que esbanjam charme e um sorriso capaz de derreter o maior iceberg do mundo.

Homens e mulheres deixam de lado as suas qualidades enquanto seres humanos para mostrarem como se cultiva o corpo, enquanto divulgam fórmulas de sucesso deste ou daquele produto. Convidam à admiração, suscitam inveja, capitalizam para si o que lhes interessa, alimentam especulações em torno da sua vida privada que supostamente devia ser isso mesmo...privada. E assim fazem a sua própria fortuna e a de uma verdadeira indústria de produtos e imagens de celebridades. Parecem felizes ao exibir uma satisfação aparentemente sem fim. Será possível que estes homens e mulheres não tenham sofrimentos e contrariedades também??!!

A exuberância excessiva, a sensualidade exibicionista e a insistência de sorrisos, que parecem nunca se desfazer, a insistência da perfeição corpórea tentam passar a imagem de biografias que não registam derrotas, dúvidas nem decepções. E lutam desesperadamente contra a passagem do tempo, como se cada ruga não fosse um sinal do que vivemos e sim uma evidência de algo vergonhoso. Parece que se busca uma felicidade plastificada, impermeável às intempéries da vida e, ao mesmo tempo, o reconhecimento e admiração do outro não pela qualidade do ser, do carácter, do que somos, mas do que parecemos ser. Ou seja, todos querem ser reconhecidos pelo que a sua imagem passa para as pessoas que nos rodeiam e não pelo que realmente são.

Tratamentos cosméticos, cirurgias radicais, é ampla a gama de recursos utilizados para tentar ficar bem com o próprio corpo. Adereços, roupas, maquilhagens, tatuagens, piercings, musculação, cirurgias plásticas...tudo procura dar conta de um mal-estar que, mesmo que referido ao corpo, geralmente pouco tem a ver com ele. São apenas tentativas, muitas vezes vãs, de aplacar inquietações, angústias, e experiências mais profundas de vazio de alma que apenas no corpo encontram uma forma de emitir sinais incompreensíveis de pedidos de socorro.

publicado por daplanicie às 15:36

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De Lua de Sol a 17 de Julho de 2007 às 16:40
Depois de ter passado pelo meu blog, vim espreitar o seu, que eu sou curiosa por natureza! Gostei, é um blog que revela maturidade de espírito. Quanto a este assunto, em particular, penso o seguinte...
-Ninguém duvida do quão fantásticos são aqueles corpos, mas esquecem-se que a televisão engorda e que acarinha mais uns do que outros. Muitas mulheres perfeitas na TV vistas ao vivo são vulgares.
- A tela engana. As próprias pessoas enganam, pois constroem-se ...
- Beleza, imagem... são factores a que dou a devida relevância mas não me parecem os principais e não me deixo impressionar facilmente!
- Errada ou não, retiro mérito à beleza fabricada. A verdadeira beleza, que é rara, é natural, um dom. Com produtos e bisturis todos podemos ser fantásticos. O que nos barra o caminho é o dinheiro!
- Porque inventam tanta "tralha"?! Não seriamos mais felizes se nos aceitássemos como somos?! Não pouparíamos dinheiro e saúde?!Inventamos pêlos para arrancar, rugas para esticar, banha para aspirar, etc. Não seria bom, reconhecermos a verdadeira beleza quando a encontrássemos ?!
- Numa era em que o mundo precisa cada vez mais de espírito andamos cada vez mais preocupados com a aparência!
De daplanicie a 18 de Julho de 2007 às 09:05
Subscrevo e assino por baixo! Completamente de acordo com tudo o que disse. Muito obrigada pela visita e pelo comentário.
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